Dom Celli: Cristo e a cultura do encontro nas periferias existenciais

Mensagem à Associação de Comunicadores Católicos da América Latina e do Caribe, reunidos em assembleia

Roma, (Zenit.org) | 456 visitas

"Os meios de comunicação se tornaram imprescindíveis. Estamos sendo testemunhas de grandes mudanças, não só no âmbito tecnológico e cultural, mas também na história da Igreja", afirma dom Claudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, em sua mensagem aos comunicadores reunidos na assembleia de associados nacionais da Organização Católica de Comunicadores da América Latina e do Caribe (OCCLAC). Nesta reunião, serão eleitos os novos diretores para o período 2013-2017.

Celli afirma que "a Providência escolheu um papa do sul do mundo, concretamente de um continente que está unido pelos sofrimentos e pelas esperanças dos seus povos, pelos seus grandes desafios; e estigmatizado pelas grandes desigualdades que se encarnam especialmente nos pobres e nos que mais sofrem".

Recentemente, o cardeal Ouellet se voltou aos bispos da América Latina por ocasião da eleição do papa Francisco, colocando algumas perguntas que agora dom Celli repropõe aos comunicadores católicos. "São perguntas que podem nos ajudar a refletir sobre o significado de um papa latino-americano para a nossa missão de comunicadores católicos: o que significa para a ‘missão continental’, que o papa Francisco traz no coração? O que significa para o discipulado nas suas comunidades cristãs? O que significa para o bem dos seus povos e nações? O que significa para a solicitude apostólica universal da Igreja latino-americana e para a sua colaboração com o ministério universal do Sucessor de Pedro, para irradiar o evangelho em todos os confins da terra?".

A reflexão pode suscitar duas características capazes de ajudar a impulsionar a "missão permanente à qual fomos convocados na Assembleia de Aparecida", diz Celli: comunicadores promotores da “cultura do encontro” e chamados a comunicar o Cristo nas periferias existenciais.

Em relação à cultura do encontro, o presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais recorda que, "hoje, a barreira digital não é a única causa de incomunicação; numa sociedade sempre conectada, o ser humano, em tantas circunstâncias, vive mais isolado que nunca e encontra grandes dificuldades para uma verdadeira comunicação interpessoal". Acrescenta que o papa Francisco "nos propõe instaurar e promover uma ‘cultura do encontro’ com os outros, a partir da fé que nasce do encontro pessoal com Jesus. Os nossos países da América Latina sofrem a divisão econômica e política que, tantas vezes, separa os irmãos e irmãs deste grande continente".

No segundo ponto da reflexão, "chamados a comunicar o Cristo nas periferias existenciais", ele cita as palavras do papa, que diz que "somos chamados a não nos fechar na solidão, no desalento, no sentimento de impotência diante dos problemas”. O papa nos afirma que o encerramento é um perigo: “Nós nos fechamos na paróquia, no grupo de amigos, no movimento, nos meios em que todos pensamos as mesmas coisas… Mas sabem o que é que acontece? Quando a Igreja se fecha, ela fica doente”.

Dom Celli explica que “todos nós, comunicadores católicos, em especial aqueles que se encontram nas periferias, temos que assumir e promover a Nova Evangelização como um processo integral do ser humano, que ajuda a recuperar a dignidade dos filhos de Deus, procurando novas formas de comunicação para o desenvolvimento e, como o papa Francisco nos encoraja, sem nos fecharmos”.

Para concluir a reflexão, ele ressalta duas tentações: "o retrocesso e o progressismo adolescente". E explica que "uma comunicação cristã nasce principalmente do coração que acredita e que ama a Cristo, e que fará com que as atividades e os gestos comunicacionais sejam efetivos e possam suscitar a fé, a esperança, o entusiasmo e o seguimento do mesmo Senhor".