Dom Celli: "Motu proprio do papa é um ato necessário"

Presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais: É necessário alterar as disposições da Universi Dominici Gregis para a eleição do novo papa

Roma, (Zenit.org) | 1566 visitas

“Um motu proprio do papa é um ato necessário. A constituição apostólica do papa João Paulo II não deixou instruções quanto à situação que estamos vivendo agora. Precisamos de um documento que determine as variações e as interpretações daquilo que está prescrito no documento do papa beato”.

A opinião é do presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, dom Claudio Maria Celli, em programa de rádio transmitido pela RAI. De acordo com Celli, adaptar o fim de um pontificado à renúncia em vez da morte de um papa é um caso que exige um motu proprio específico, que mude as regras escritas, inclusive sobre a data de início do conclave.

O documento deveria ser assinado pelo Santo Padre antes de 28 de fevereiro. O arcebispo afirmou, ainda, que espera uma "multidão oceânica" na audiência de 27 de fevereiro, a última de Bento XVI. Aliás, naquela data é possível que todos os cardeais do conclave já estejam em Roma.

A atual constituição apostólica Universi Dominici Gregis prevê que o novo papa seja eleito pelo voto de dois terços do colégio dos cardeais e que um cardeal não pode votar em si mesmo.

Por isso, em 19 de abril de 2005, na décima votação do conclave, quando o cardeal Ratzinger foi eleito o 295º papa com os dois terços dos votos, foi necessário verificar as cédulas. Confirmou-se que o cardeal Ratzinger não tinha votado em si mesmo e que, portanto, tinha recebido todos os votos válidos necessários.

Há poucos dias, o porta-voz do Vaticano, pe. Federico Lombardi, declarou que Bento XVI considerava a possibilidade de escrever um motu proprio (termo que, literalmente, significa "por sua iniciativa", significando um documento escrito voluntariamente pelo papa).

No entanto, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé completou que, provavelmente, deverá tratar-se de uma harmonização do Ordo Rituum Conclavis com a constituição apostólica Universi Dominici Gregis.