Dom Georg permanece ao lado de Bento XVI

Afirmou Padre Lombardi, porta-voz do Vaticano, no briefing de hoje

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 1634 visitas

Continuam as manchetes sobre a notícia que, desde segunda-feira, ocupa as primeiras páginas de todas as mídias do mundo: a demissão de Bento XVI. Na verdade, a "renúncia de Bento XVI" como deixou claro Padre Federico Lombardi durante encontro com os jornalistas no quarto briefing realizado na sala de imprensa do Vaticano.

O porta-voz da Santa Sé deu a conhecer algumas informações relevantes sobre a decisão histórica do Papa: primeiro, a situação do secretário particular mons. Georg Gaenswein. Já na conferência de imprensa de ontem, padre Lombardi havia enfrentado a questão sobre a dupla função de secretário de Sua Santidade e Prefeito da Casa Pontifícia. Atribuição conferida por Bento XVI em dezembro do ano passado, sinal de plena confiança do Papa em um de seus colaboradores mais próximos.

Se ontem era certo que o arcebispo desempenharia apenas o papel de prefeito – já que não decai, apesar da renúncia do Papa – hoje foi confirmado também que Gaenswein acompanhará Bento XVI a Castel Gandolfo e depois ao mosteiro Mater Ecclesiae, continuando seu trabalho como secretário particular.

Juntamente com ele, acompanharão Ratzinger os quatro Memores Domini de Comunhão e Libertação, como sempre prestando serviço na capela, cozinha, arquivo e secretariando o Santo Padre. "O núcleo fundamental da família pontifícia - disse Pe. Lombardi – continuará a acompanhar Bento XVI nessa transição”.

Ainda sobre dom Georg, o porta-voz do Vaticano afirmou que, mesmo permanecendo Prefeito e Secretário, ele não terá qualquer tipo de influência sobre o novo Papa, enquanto "suas competências não dizem respeito ao governo ou às decisões da Igreja", mas sim a "funções práticas e logísticas relativas à organização das audiências de Sua Santidade”.

No que diz respeito ao mons. Alfred Xuereb, o segundo secretário do Papa, o Diretor da Sala de Imprensa, disse que em um primeiro momento ele irá para Castel Gandolfo, e provavelmente, será por um tempo o secretário de seu sucessor, “de modo a introduzir a prática e a vida do apartamento papal”.

O porta-voz do Vaticano também negou o relatório publicado esta manhã por alguns jornais anunciando a nomeação do belga Bernard De Corte como novo Presidente do IOR. "Eu não sei e não confirmo que foi eleito um novo presidente", disse ele, prevendo, no entanto, a possibilidade de uma nomeação até o final da semana.

Outra questão levantada foi o incidente do Papa durante sua viagem ao México, notícia divulgada esta manhã. Com base em algumas informações Bento XVI teria caído e ferido a cabeça e isso - segundo fontes – teria sido um sinal que conduziria à tomada de decisão da segunda-feira. "Eu não tenho que negar que houve este episódio - disse Pe. Lombardi - mas não influenciou nem a viagem, nem a decisão como tal”.

"Aconteceram alguns incidentes nos últimos anos e neste período- acrescentou - mas o Papa, sobre a renúncia, se referia apenas a sua condição de envelhecimento geral e as forças que são menores nos últimos meses. As interpretações que ligam a um episódio ao invés de outro não são pertinentes”.

"A Constituição conserva todo o seu valor" respondeu Pe. Federico Lombardi às perguntas sobre uma hipotética redisposição de normas para antecipar o Conclave. O jesuíta defendeu firmemente que não foi feita e nem mesmo levada em consideração a idéia de uma mudança nas leis. E nem que o Conclave, segundo as normas, seria após 15-20 dias da sede vacante. A data exata será anunciada durante este período pelos cardeais que chegarão nos próximos dias ao Vaticano e se estabelecerão a partir de 01 de março, e não antes, na Casa Santa Marta.

O porta-voz esclareceu também que o discurso sobre o limite de 80 anos para votar no Conclave, se refere àqueles que já completaram essa idade no primeiro dia da sede vacante. Então, seja o cardeal Walter Kasper como o Cardeal Severino Poletto  participarão, pois ambos completam 80 anos em março.

Finalmente, o leit-motiv do briefing: "Como se poderá chamar o Papa no futuro?". "Ainda não está claro a questão do nome - explicou o diretor da Sala de Imprensa -  nem o fato de que Bento XVI será Bispo emérito de Roma".

"Acho que posso reiterar - concluiu - que Bento XVI é um título ao qual não pode renunciar. É o seu nome como Papa que ele levou a toda a Igreja e ao mundo oficialmente por oito anos. Então, certamente, continuaremos a chamá-lo de Bento XVI. Isso não muda e não pode obviamente mudar."