Dom Geraldo Majella Agnelo: "a escolha do próximo Papa não se guia pela geografia. O que se analisa é quem está mais preparado para exercer esse ministério"

Jesus revolucionou a lógica do agir humano, dos primeiros lugares, do intercâmbio interesseiro.

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 1570 visitas

Com o lema "cum fide" (Amor com fé), o Cardeal brasileiro Dom Geraldo Majella Agnelo - que cumprirá 80 anos no dia 19 de outubro deste ano, foi ordenado bispo no dia e na hora exata em que falecia o Papa Paulo VI.

Doutor em Teologia com ênfase em Liturgia - Roma, Pontifício Ateneu Santo Anselmo - disse em entrevista à Folha[1] que a escolha do próximo Papa não se guia “pela geografia. O que se analisa é quem está mais preparado para exercer esse ministério.”

Em maio de 2011, Dom Geraldo Majella representou o Papa Bento XVI na beatificação da Irmã Dulce. Disse em sua homilia: “Agradecemos de coração comovido ao Santo Padre o Papa Bento XVI ter elevado às honras dos altares alguém que aqui viveu, amou a nossa gente, especialmente os mais sofridos, aos quais deu a maior prova de amor, entregando toda a sua vida por eles.”

De um total de 279 bispos votantes, alcançou 207 votos no terceiro escrutínio, sendo eleito presidente da CNBB para o quadriênio 2003 – 2007.

O sonho “Brasil como país da esperança” se embate com a dura realidade de uma “defasagem entre os problemas que devem ser enfrentados e a capacidade moral das pessoas responsáveis” – diz em artigo no ano 2009[2]. Os sérios problemas do Brasil “não passariam de desafios facilmente superáveis se a classe dirigente tivesse uma consciência à altura”. Mas, infelizmente são orientados por três parâmetros de conduta: dinheiro, luxúria e poder, dizia o cardeal.

A lógica de Jesus é a lógica da humildade. “Jesus revolucionou a lógica do agir humano, dos primeiros lugares, do intercâmbio interesseiro. A sua lógica é paradoxal, revoluciona os valores em que acreditamos. “O mundo só não tem inveja do último lugar”, dizia S.Teresa de Lisieux.[3]

Dom Geraldo Majella Agnelo (Juiz de Fora, 19 de outubro de 1933) é arcebispo emérito de Salvador. Filho de Antonio e Silvia Agnelo. Ordenado presbítero em 29 de junho de 1957, aos 23 anos. Aos 44 anos, foi bispo de Toledo, Paraná, em 5 de maio de 1978. Sua ordenação episcopal foi na Catedral de São Paulo, em 6 de agosto de 1978 pelas mãos do Cardeal Paulo Evaristo Cardeal Arns,OFM, Dom Benedito de Ulhôa Vieira e Dom Angélico Sândalo Bernardino. Em 1999, foi nomeado arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil e elevado a Cardeal da Santa Igreja no consistório de 2001, com o título presbiteral de São Gregório Magno na Via Magliana Nova. No dia 12 de janeiro de 2011, teve seu pedido de renúncia aceito pelo Papa Bento XVI, sendo sucedido em Salvador por Dom Murilo Krieger, scj. 

[1] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/94747-burocracia-da-igreja-ficou-pesada-e-tem-muita-gordura-para-queimar.shtml

[2] http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/cardeal-geraldo-majella-agnelo/988-caminhos-e-descaminhos-do-desenvolvimento-humano

[3] http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/cardeal-geraldo-majella-agnelo/4544-a-logica-do-mundo