Dom Pedro Carlos, um Bispo paternal

Assumiu a Diocese em tempos complicados

Amparo, (Zenit.org) Vanderlei de Lima | 677 visitas

Há algum tempo, eu pensava em escrever sobre os novos rumos da Diocese de Amparo depois da posse de Dom Pedro Carlos Cipolini no dia 24 de outubro de 2010.

Minha intenção, contudo, não era a de redigir por redigir, mas, sim, a de fazer um artigo esclarecedor a respeito dos bons trabalhos de nosso Pastor. Espero, pois, que este texto ajude na sua reflexão, prezado(a) leitor(a).

Conheci nosso Bispo quando ele era padre, e depois cônego, na Arquidiocese de Campinas, sempre envolvido em múltiplas atividades pastorais e intelectuais. Lá, participei, na Basílica do Carmo, do seu jubileu de prata sacerdotal, em 2003, mas só fui ter um contato maior com o então cônego Pedro, na PUC-Campinas, quando ele foi meu professor.

Eis, porém, que o professor se tornou Bispo de Amparo. Foi grande a alegria. Afinal, nossa Igreja particular – assim o Código de Direito Canônico chama uma diocese (cf. cânon 369) – recebia um Pastor que reúne em si ampla experiência pastoral e profunda riqueza intelectual: Dom Pedro fora pároco em várias realidades diferentes, docente de várias disciplinas por longos anos, é mestre e doutor em Teologia e, já enquanto cônego, estava bastante ligado a diversos trabalhos na CNBB.

Recém-chegado à Flor da Montanha recebeu o título de cidadão amparense, foi acolhido como membro da Academia Amparense de Letras e, por meio de suas visitas pastorais aos órgãos civis e religiosos de toda a Diocese, deixou transparecer a visão real de um Pastor presente junto ao rebanho de Cristo que lhe fora confiado.

Todavia, um pouco do encanto inicial passou e algumas reclamações, quase sempre (ou sempre) sem fundamentos, apareceram tentando sufocar todo o bem realizado pelo Bispo. Essas queixas provinham de uma minoria barulhenta e resmungona que as produzia e espalhava. O pior é que nessa “panelinha” dos críticos pareciam estar alguns que tinham a obrigação primeira de defender Dom Pedro, mas, infelizmente, não o fizeram.

Penso que criticar é algo natural e até construtivo em certos momentos (aqui estou a criticar os críticos, por exemplo), mas desmerecer o Bispo apenas porque ele fez algo que possa ter me desagradado é muito mesquinho. E mais: inventar, caluniar, maldizer não é cristão. Ao contrário, o Senhor Jesus mandou amar até os inimigos (cf. Mt 5, 43).

Pois bem. Dito isso, desejo lembrar que Dom Pedro assumiu a Diocese em tempos complicados com dificuldades que iam da inexistência de um Plano de Pastoral à ausência de Estatutos para o Conselho de Presbíteros, o Colégio de Consultores e de um Diretório dos Presbíteros passando pelos problemas de sacerdotes idosos ou adoentados que mantinham como podiam seus trabalhos paroquiais ou de outros que, embora saudáveis, nem sempre caminhavam em plena sintonia com a Diocese.

Ora, o novo Bispo se apressou na resolução de todas essas dificuldades. Trabalhou incansavelmente para a criação comunitária de um plano de pastoral e na confecção colegiada dos estatutos que mencionei, aceitou a renúncia dos padres idosos e doentes, trouxe presbíteros de outras dioceses ou institutos religiosos para substituí-los. Chamou alguns poucos clérigos com dificuldades no ministério presbiteral e, dentro da seriedade exigida, ofereceu-lhes, paternalmente, remédios canônicos e espirituais.

Portanto, acompanhando, com atenção, o trabalho de Dom Pedro é possível notar mais acertos do que falhas (que podem aparecer. Afinal quem de nós não as tem?). Percebo também que Dom Pedro não é – como alguns possam pensar – um Pastor autoritário, despótico, fechado em seu mundo intelectual e alheio à vida das comunidades. Não. Ele pode, talvez, levar muito a sério a máxima bíblica que recomenda, prudentemente, desconfiar dos seres humanos que nos cercam (cf. Jr 17,5), mas é aberto ao diálogo sereno e objetivo sem, com isso, abdicar da sua função episcopal.

Nunca faz, por exemplo, uma nomeação e nem toma decisões importantes para a Diocese sem consultar ou ouvir a quem de direito. Lendo os seus decretos, seja nos Estatutos para os padres, seja no Plano de Pastoral, recém-lançado, nota-se que em todos esses documentos de importância capital transparecem as discussões em reuniões e a consequente aprovação coletiva dos textos. Quem assim age não merece a fama de autoritário.

Por fim, desejo tratar da mudança de padres, algo que muito desgosta a várias comunidades e até as indispõem, ao menos momentaneamente, contra o Bispo. Isso é, em certo sentido, muito positivo e passa-nos um bom sinal: temos zelosos sacerdotes e mudá-los é doloroso aos fiéis que, por meio desses ministros ordenados, receberam muitos favores espirituais. Talvez, o transferir-se seja difícil até para o próprio pároco que ainda não entendeu bem uma importante mensagem: no grego bíblico, pároikos designa aquele que não tem morada fixa. É por essa razão que, escolhido por Deus, ele deve estar à disposição da Igreja para servir onde o povo mais precisar.

Tem horas que as mudanças se fazem necessárias e o Bispo, como bom gestor, deve estar atento a isso. Faz parte de sua missão agir assim. A nós – a mim e a você que, em sua leitura, chegou até aqui – resta não criticar, mas, ao contrário, agradecer a Deus por nos ter enviado Dom Pedro Carlos, pois ele é um pastor que conhece – pastoral e intelectualmente – a vida da nossa Igreja e, por isso, sabe ser um Bispo paternal para com o seu clero e seus fiéis.

Vanderlei de Lima é filósofo e escritor.