Dom Pietro Parolin: "É muito fácil trabalhar com o papa Francisco"

Novo secretário de Estado do Vaticano participa da apresentação de um livro do cardeal Maradiaga e confirma boa condição de saúde

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 504 visitas

Dom Pietro Parolin, novo secretário de Estado do Vaticano, manifestou ontem o seu "carinho por todos os habitantes da América Latina, porque eu tenho lembranças muito carinhosas de todos os anos que passei na Venezuela". O secretário respondeu ao pedido dos jornalistas ali presentes de dizer algumas palavras em espanhol ao chegar à apresentação do livro "Entre ética e empresa: a pessoa no centro", do cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, em coautoria com Giuseppe Colaiacovo e Manlio Sodi.

Sobre o seu trabalho nos primeiros dias no Vaticano, Parolin comentou: "Estou começando, e, quando você começa, nem sempre é fácil, ainda mais num trabalho tão exigente e de tanta responsabilidade como esse, de secretário de Estado. Mas, com a ajuda de Deus e ao lado do papa Francisco, eu espero cumprir a minha tarefa".

O secretário de Estado, que assumiu o cargo alguns dias depois da data prevista por causa de uma cirurgia, comentou sobre a própria saúde e afirmou que "graças a Deus, tudo terminou bem".

Parolin considera que "é muito fácil trabalhar com o papa porque, como todo mundo sabe, ele é um homem muito simples e muito próximo, que tenta ajudar e não complicar as coisas. Eu espero que esta colaboração possa crescer cada dia mais, para a glória de Deus e da Igreja".

Foi ele mesmo quem abriu a apresentação do livro "Entre ética e empresa: a pessoa no centro". Em sua fala, Parolin lembrou que o atual momento de profunda crise econômica tem como fundo uma profunda crise antropológica. Afirmou que a economia tem que ficar sempre a serviço do homem e não o contrário. Fazendo referência ao título da obra apresentada, ele destacou a importância de recolocar a pessoa no centro e de nunca permitir que ela seja um mero meio, em nenhuma atividade e em nenhuma circunstância. Ressaltou ainda que a Igreja tem a responsabilidade de comunicar a esperança que vem do Evangelho e também a alegria, como recorda Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium. É necessário, segundo o secretário vaticano, "apoiar o compromisso de todos na construção de uma sociedade mais justa e mais digna do homem, uma sociedade aberta à esperança, que não fique fechada em si mesma na defesa dos interesses de poucos, mas que se abra para a perspectiva do bem comum".

Por sua vez, o cardeal hondurenho Maradiga mencionou o Festival da Doutrina Social da Igreja, celebrado em Verona de 21 a 24 de novembro com o lema “Menos desigualdades, mais diferenças". O cardeal manifestou o desejo de que o festival se repita em mais lugares, porque é "um sinal de esperança".

Aprofundando no tema central do livro, ele destacou a diferença entre "homem de negócios" e "empresário". O primeiro visa apenas o dinheiro. O segundo, que é o verdadeiro empreendedor, procura o bem comum e quer ajudar os outros. “É destes que precisamos”, afirmou Maradiaga.

O purpurado aproveitou para sublinhar a importância de que a Igreja e os sacerdotes tenham conhecimentos de economia. Recordou o tempo em que foi encarregado do comitê econômico do Celam, quando, ao tentar estabelecer relações com institutos de economia, ouvia como resposta: "Os padres não entendem de economia". Ele próprio decidiu estudar por conta. Avaliando as dificuldades que estão provocando a crise econômica atual, Maradiaga propõe criatividade, pesquisa e ousadia como formas de superá-la: "No âmbito da economia, podemos pensar diferente".