Dom Sánchez Sorondo explica o "escândalo" de viver a fundo o Evangelho

O chanceler da Pontifícia Academia das Ciências aborda a mensagem do papa sobre a centralidade evangélica dos pobres

Roma, (Zenit.org) Redacao | 445 visitas

Dom Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, ressaltou que o papa Francisco quer que os jovens “façam bagunça” e que a Igreja se “envolva e saia da comodidade e do clericalismo”.

O bispo deu uma conferência nos cursos de verão da Universidade Católica de Valência “San Vicente Mártir”, no Seminário Monte Corbán, em Santander, e afirmou: “O que o papa quer é que a Igreja se envolva e saia para as ruas. Ao mesmo tempo, que ela também saia da mundanidade, do acomodamento e do clericalismo”.

O prelado argentino disse ainda que “hoje vivemos um humanismo financeiro em que a humanidade se suicida, há um grande culto ao dinheiro, que exclui os idosos e os jovens. O papa quer mudar isto”.

Sorondo enfatiza que o santo padre quer que “o Evangelho seja vivido a fundo (...) O Evangelho vivido a fundo é sempre um certo escândalo”. O bispo recorda que o papa, com tantos sinais, “mudou a forma de ser bispo de Roma” e muitos dos seus gestos causaram “escândalo positivo”. Algo que o próprio santo padre disse recentemente na Jornada Mundial da Juventude, no Rio, quando encorajou os jovens a “fazer bagunça, fazer escândalo”, declarou.

O chanceler da Pontifícia Academia recordou que o papa quer que “demos testemunho do Evangelho, algo que parece novo, mas que implica voltar ao Evangelho ‘sem notas de rodapé’, como dizia São Francisco”.

Sorondo explicou ainda que a mensagem do papa Francisco é “ler as bem-aventuranças e praticar Mateus, 25”, em referência à passagem do Evangelho em que Cristo revela como julgará os homens: “O que fizerdes com o menor dos meus irmãos, a mim o fareis”. Desta forma, é “mais que uma nova doutrina: é uma nova prática”.

O bispo citou o filósofo e teólogo Søren Kierkegaard , “quando afirma que é fácil explicar qual é a essência do cristianismo e que o difícil é praticá-lo, porque a questão é fazer a caridade ao próximo, amar o próximo como a si mesmo, e já é difícil amar a si mesmo; amar o próximo também é difícil. Esta é a novidade”.

Ele falou ainda sobre um “problema de exercício”. Neste sentido, matizou que “não é à toa que o papa é filho de Santo Inácio, que inventou os exercícios [espirituais]”. “O que está nos faltando é o exercício espiritual. A teoria nós sabemos, mas o exercício tem que ser praticado”.

Quanto à viagem do papa à Jornada Mundial da Juventude, o prelado destacou que ele voltou “muito contente” e “muito emocionado” do encontro no Brasil, que reuniu mais de 3 milhões de jovens.

Dom Sánchez Sorondo destacou um momento muito emotivo para Francisco: a visita a Nossa Senhora de Aparecida, “onde ele reafirmou a doutrina que conserva muito viva”. “Lá ele ofereceu a Maria o seu pontificado, chorou e pediu para não perder o dom da lágrima, que também é muito típico de Santo Inácio".

Finalmente, o chanceler da Pontifica Academia das Ciências se mostrou feliz com os sinais do papa Francisco e com as comparações entre ele e João Paulo II, João XXIII e São Francisco. “Isto vai ser permanente, porque, quando há um bom pároco, as pessoas o amam cada vez mais”. “Há novas conversões. Por exemplo, em Buenos Aires, muitíssima gente vai se confessar porque o papa fala da ternura de Deus e muita gente volta para os sacramentos”.