Dom Shomali: o papa vem rezar pela paz, pelo diálogo e pela reconciliação

Entrevista com o bispo auxiliar e vigário patriarcal de Jerusalém e dos Territórios Palestinos

Roma, (Zenit.org) Ivan de Vargas | 315 visitas

O papa Francisco anunciou neste domingo que visitará a Terra Santa nos dias 24, 25 e 26 de maio deste ano. Durante o ângelus na Praça de São Pedro, o pontífice pediu que os fiéis rezem por essa peregrinação, que, conforme explicou, servirá para comemorar o histórico encontro entre Paulo VI e o patriarca Atenágoras, cinquenta anos atrás.

Por ocasião dessa viagem de relevância crucial, ZENIT entrevistou com exclusividade o bispo auxiliar e vigário patriarcal de Jerusalém e dos Territórios Palestinos, dom William Shomali.

Como a comunidade cristã da Terra Santa recebeu o anúncio oficial da visita do papa Francisco?

Dom William Shomali: A nossa comunidade cristã gosta muito do papa Francisco, por causa dos seus gestos em favor dos pobres e do Oriente Médio. Os fiéis se impressionaram com a oração pela Síria, da qual nós participamos intensamente. Ele será muito bem-vindo. O presidente palestino também deu as boas-vindas a ele em nome de todos, dos muçulmanos e dos cristãos.

O que a Igreja Mãe espera desse encontro com o Vigário de Cristo?

Dom William Shomali: Essa visita tem diversas dimensões. No aspecto ecumênico, nós queremos uma abertura maior aos ortodoxos. Em segundo lugar, esperamos mais abertura ao islã e ao judaísmo. Ou seja, um diálogo mais intenso e que dê mais frutos. Que haja mais respeito recíproco. Também esperamos uma palavra do papa Francisco por mais liberdade religiosa no Oriente Médio. A paz… Esperamos uma palavra aos políticos das duas nações, aos palestinos e aos israelenses. Um convite para negociar de verdade a paz, para não continuar esperando anos e anos… Que o processo seja acelerado. E por último, mas não por isso menos importante, que o papa encoraje os cristãos a viver a fé e a considerar a presença aqui na Terra Santa como um privilégio e uma vocação, para que eles não abandonem a Terra Santa.

O Santo Padre definiu essa viagem como uma “peregrinação de oração”. Essa vai ser a característica predominante?

Dom William Shomali: Uma peregrinação tem sempre um significado de aprofundamento na fé e um sentido de conversão. Isso é para todos. O papa Francisco diz humildemente que vem como um peregrino, como todos os que vêm aqui, para crescer na fé e se converter no âmbito pessoal. Mas ele vem também rezar pelas intenções do mundo, porque ele não é uma pessoa privada... É o papa, sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo. Ele vem rezar não só pelas suas intenções, mas pelas de todo o mundo: a paz, o diálogo e a reconciliação.

Sabemos que vão ser três etapas. Mas parece evidente que, para um pontífice que se inspira em São Francisco de Assis, os momentos mais intensos da peregrinação vão acontecer na humildade e na pobreza de Belém e no Calvário em Jerusalém, dois lugares intimamente unidos.

Dom William Shomali: Não só para o papa Francisco. Belém e Jerusalém são inseparáveis para todos. Não podemos separar o nascimento de Jesus da Redenção. Esta é uma verdade teológica. E, mesmo geograficamente, Belém e Jerusalém estão a dez minutos quando o trânsito na rodovia está fluindo. Especialmente nos sábados, com menos carros.

O senhor gostaria de enviar uma mensagem para os leitores da ZENIT?

Dom William Shomali: Eu convido a todos, como o papa, a rezar pelo sucesso desta peregrinação, porque o papa sempre disse: “É a oração que torna um ato frutuoso”. Francisco é um grande comunicador e tem êxito porque reza muito. E nós queremos ajudá-lo na oração, para que essa viagem dê os frutos desejados por ele e por nós.