Dom Twal a cristãos: ser “pontes” entre duas religiões e culturas

“Devemos semear a paz” na Terra Santa, “evitemos gestos estúpidos”, pede

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GÊNOVA, sexta-feira, 19 de março de 2010 (ZENIT.org).- “Devemos semear esperança e paz para dar passos concretos de reconciliação” na Terra Santa, mas ainda “existem pessoas que buscam objetivos contrários e não têm nenhum senso de responsabilidade”.

Assim afirmou na quarta-feira o patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, na Catedral de São Lourenço de Gênova, ao dar uma conferência sobre a situação da Igreja na Terra Santa após a visita do Papa.

Dom Twal lamentou os recentes enfrentamentos ocorridos na Terra Santa, “acontecimentos tristes e penosos, que não fazem mais do que agravar o ódio, a rejeição e o rancor com relação ao outro”, informou a agência SIR.

“Como cristãos, assumamos novamente o convite de Jesus e do Santo Padre a um maior diálogo, à reconciliação, e evitemos gestos estúpidos que não ajudam ninguém”, declarou.

O patriarca descreveu a realidade dos cristãos no território do patriarcado, que ascendem a cerca de 50 mil cristãos na Faixa de Gaza, Jerusalém oriental e Cisjordânia, e a mais de 200 mil em Israel.

Dom Twal constatou que “a pastoral se conjuga com cobranças que às vezes vão além das próprias exigências da fé, misturadas com um complexo de sentimentos, tensões, raivas e desejos, devido à situação de sentir-se com todos os demais árabes como ‘ocupados’ por Israel”.

“Aos cristãos de Israel, em sua maioria árabes de língua e cultura, eu pedi que fossem ‘ponte’ entre duas religiões, entre duas civilizações, entre duas culturas, entre duas políticas”, explicou.

Também se referiu ao “desafio do mundo judaico” que, “se por um lado representa o mundo das nossas raízes de fé, por outro, politicamente, representa o ‘ocupante’”.

“Qualquer ocupação é sempre odiada e prejudica o ocupante, que perde o sentido do respeito e da dignidade dos demais, assim como o ocupado, aumentando o sentimento de rejeição, de rancor e de resistência.”

Na Palestina, no entanto, “os católicos árabes enfrentam o desafio de um cristianismo que às vezes é interpretado pelos demais árabes palestinos como posição política da falta de compromisso, como se os nossos cristãos comprometidos na luta pela justiça, pela paz e pelo diálogo não assumissem posições ‘contra o inimigo’ ocupante”, explicou.

“A teologia e a pastoral do perdão e da purificação da memória são facilmente interpretadas como prática da falta de compromisso”, lamentou.

O patriarca latino de Jerusalém destacou que os cristãos palestinos “sofrem as consequências da trágica situação em que se encontra toda a Palestina, particularmente a enorme taxa de desemprego”.

“A situação política e a situação de insegurança geral fazem que os católicos sintam a tentação de migrar a regiões mais seguras no mundo, do ponto de vista ocupacional, profissional e religioso.”

“Portanto – acrescentou –, o problema dos cristãos na Palestina é o da progressiva hemorragia devido à migração”.