Dom Vegliò: “A Europa não se resume a uma moeda única”
Exorta a valorizar as raízes cristãs do continente
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Por Roberta Sciamplicotti
MÁLAGA, terça-feira, 4 de maio de 2010 (ZENIT.org). - Na homilia da Eucaristia que celebrou na última sexta-feira em Málaga, na Espanha, durante o VIII Congresso Europeu sobre Migrações, Dom Antonio Maria Vegliò enfatizou a necessidade de se valorizar as raízes cristãs da Europa.
O prelado, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, lembrou que "a história europeia foi construída sobre raízes cristãs, que deveriam ser mais valorizadas, até para que se possa dar uma resposta adequada à questão que é continuamente colocada nos dias de hoje, com a intensificação dos fluxos migratórios de minorias étnicas não-católicas e não-cristãs: qual é a sociedade que estamos construindo?".
"A Europa não é e não pode se limitar a ser apenas uma moeda única. É chamada a destacar a centralidade do homem, cujo valor a Igreja sempre defendeu."
Uma das consequências do processo de unificação política e econômica será uma "maior circulação em um mercado ampliado, não apenas de bens e mercadorias, mas também de pessoas", observou.
Desfazer a associação mental entre imigração e criminalidade
A este propósito, comentou o "falacioso e prejudicial trinômio ‘imigração-irregularidade-criminalidade'", sublinhando que "ainda resta muito trabalho no que diz respeito à conscientização da comunidade internacional de que o imigrante, mesmo irregular, não se identifica com o criminoso, sendo, ao contrário, quase sempre vítima da criminalidade".
Mesmo reconhecendo que "quando a presença irregular se prolonga no tempo, aumenta o risco do imigrante entrar para o circuito da criminalidade", o prelado observou que "a comunidade cristã não pode ser indiferente a estas pessoas, que estão entre as mais indefesas".
"O critério do cristão não é o politicamente correto: deve estar disposto a pagar o preço da caridade que opera".
A Igreja a serviço dos imigrantes
No âmbito da mobilidade humana, continuou o presidente do dicastério vaticano, "a Igreja na Europa jamais deixou de oferecer sua assistência a todos, respeitando em cada um a inalienável dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus e redimida pelo sangue de Cristo".
"No que diz respeito aos imigrantes, a Igreja continua a recomendar que o primeiro passo em direção à sociedade que os acolhe é o respeito à legislação e aos valores fundamentais desta sociedade, inclusive os religiosos".
As comunidades cristãs, por sua vez, "são chamadas a viver sua identidade até o fundo, sem renunciar a dar seu testemunho".
"O aumento constante na movimentação de indivíduos e povos, tanto na Europa como no resto do mundo, é um sinal dos tempos, que a Igreja deve interpretar e ter em mente ao promover a fraternidade e a solidariedade - comentou. Seu objetivo é a construção de uma sociedade integrada."
"Nuvens escuras"
Dom Vegliò afirmou ainda que "o momento presente, portanto, está coberto por nuvens escuras, que criam um clima de desconfiança e suspeita, após os abusos cometidos por alguns sacerdotes e bispos".
"Por um lado, condenamos, sem hesitação, tais ações. O sofrimento das vítimas nos causa imensa dor e todos nós gostaríamos de lhes dirigir uma palavra de conforto. Ofereçamos nossa comunhão em oração, para que possam encontrar em Jesus Cristo, ele próprio vítima da injustiça, apoio e esperança, para assim obterem a cura interior e a paz".
"Por outro lado, reiteramos junto ao Papa que esta é a Igreja de Cristo, pecadora, mas amada pelo Senhor. Expressamos, assim, nossos sentimentos de solidariedade, afeto e devoção ao Papa. Sofremos com ele e elevamos nossas orações, a fim de que possa continuar a guiar a Igreja com firmeza e sábia coragem".
A ação pelos imigrantes
Sublinhando que a liturgia do dia lembrava a figura do Papa São Pio V (1504-1572), muito dedicado "aos pobres, que recebia e confortava, inclusive com auxílios econômicos", o prelado afirmou que o exemplo deste santo pode ser útil aos agentes pastorais que atuam e favor dos imigrantes.
Reconhecendo que o fenômeno migratório constitui "uma fronteira significativa da nova evangelização do mundo", exortou os participantes do congresso a "prosseguirem com seu trabalho com renovado zelo, enquanto, de minha parte e da parte do Conselho Pontifício, estaremos a seu lado, oferecendo nosso apoio, para que o Espírito Santo torne fecundas as suas iniciativas para o bem da Igreja e do mundo".
"Que Nossa Senhora, que viveu sua fé em peregrinação nas diversas circunstâncias de sua existência terrena, vele por todos nós. Que Maria ajude os imigrantes, homens e mulheres, jovens e crianças, a conhecerem mais intimamente Jesus Cristo e a dele receberem o dom da esperança, mesmo nas situações dramáticas que com frequência têm de enfrentar."


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