Domingo: reunião mundial de representantes religiosos no Chipre

O arcebispo ortodoxo da ilha e a comunidade de Sant'Egidio continuam com o espírito de Assis

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ROMA, sexta-feira, 14 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Neste domingo se inaugura no Chipre a reunião anual de representantes religiosos organizada pela Comunidade de Sant'Egidio, nesta ocasião em cooperação com a Igreja Ortodoxa do Chipre, 22 anos depois da histórica Jornada Mundial da Oração pela Paz em Assis, convocada por João Paulo II.

O encontro «Homens e Religiões» reunirá durante três dias, com o slogan «A civilização da paz: religiões e culturas em diálogo», chefes de Estado da Europa, África e América Central e mais de 200 personalidades religiosas e leigas, cardeais, patriarcas, primazes de igrejas cristãs, o rabino chefe de Israel, Yona Metzger, e o conselheiro do rei dos Emirados Árabes Unidos, além de líderes de outras confissões. 

Confirmaram sua assistência o presidente do Chipre, o grão-duque de Luxemburgo e os presidentes de Montenegro, Malta, Albânia e Bósnia-Herzegovina. 

Marco Impagliazzo, presidente da comunidade de Sant'Egidio, confiou à Zenit alguns dos motivos que levaram a escolher esta ilha do Mediterrâneo como sede do encontro, depois de que no ano passado se celebrara em Nápoles com a participação de Bento XVI. 

«Vamos a um lugar de divisão. Infelizmente, na ilha do Chipre ainda se levanta um muro: o muro entre a parte greco-cipriota e a parte turco-cipriota. É o último muro que resta na Europa.»

«Espero que o fato de que venham peregrinos da paz, que se reze pela paz, possa servir para ajudar a derrubar algum pedaço deste muro», confessa. 

Impagliazzo considera muito significativo que o encontro aconteça por convite da Igreja Ortodoxa do país, «um passo no ecumenismo». 

A complicada situação política entre a Turquia e o Chipre desaconselhou a participação do patriarcado ecumênico de Constantinopla. Por este motivo, também estarão ausentes os representantes islâmicos e judaicos da Turquia. A ilha se encontra dividida em duas, após a intervenção militar turca em 1974. 

O presidente de Sant'Egidio espera que este encontro dê um novo impulso ao diálogo entre as religiões e as culturas, «porque este diálogo pode ajudar o mundo a ser melhor, pode eliminar um pouco do veneno onde ainda há conflitos». 

«Queremos oferecer uma contribuição para dar a entender algo essencial: que as religiões têm em seu coração uma mensagem de amor e de paz, não de violência, como com freqüência aconteceu no passado», explica Impagliazzo à Zenit. 

«O diálogo, como disse Bento XVI em Assis e em Nápoles, em nosso encontro inter-religioso do ano passado, é uma necessidade histórica precisamente porque deve encontrar a maneira de ajudar os homens e mulheres a encontrarem razões para viver e para reduzir o espaço da injustiça no mundo.»

A cerimônia inaugural do encontro começará neste domingo, no centro dos esportes da Universidade do Chipre, às 16h30 (hora local), e será transmitida por vídeo no site: www.santegidio.org.