Duas carmelitas na Jornada Mundial da Juventude no Rio

Frei Patrício Sciadini, ocd, reflete sobre as padroeiras da JMJ como estímulo a escolher o caminho de amor a Jesus

Cairo, (Zenit.org) | 476 visitas

Devo dizer que todos os dias, desde que foi anunciado que a Jornada Mundial da Juventude era no Rio de Janeiro, rezo para que seja um encontro em que os jovens do mundo inteiro possam ser contagiados com a nossa juventude brasileira, cheia de entusiasmo e de acolhida. Que eles e elas venham de onde vierem, possam encontrar e sentir o abraço do Cristo redentor e de todo brasileiro, para experimentar o que diz o salmista, “como é belo que os irmãos estejam juntos”(Sl 132). Os jovens necessitam ver a fé dos velhos que já caminharam na lida da vida e que, chegando ao por do sol, cantam o próprio hino “e agora Senhor, posso ir em paz porque os meus olhos viram o salvador!” Mas os velhos precisam do entusiasmo dos jovens para que possam sentir que, partindo, outro vai continuar o caminho e construir a Igreja no amor e na esperança.

A Jornada mundial da Juventude sem dúvida é uma das mais belas criatividades que o Espírito Santo inspirou ao Beato Papa João Paulo II, apaixonado pelos jovens, que costumava dizer: “eu não posso mais ir ver-vos, mas vós vindes ver-me...” Onde houver amor não há distância, tudo é perto porque no amor formamos um só corpo.

Na Igreja de todos os tempos e séculos existiram grandes escândalos que pareciam acabar com o evangelho, e a Igreja está aí, forte, corajosa, com o seu timoneiro à frente, o Papa Bento XVI, que nos estimula a remar contra as correntezas para chegarmos as fontes da água viva, Cristo. E na Igreja de todos os tempos sempre tivemos santos que, com sua vida, souberam amar e iluminar a todos. Normalmente nos encontros da juventude se escolhe alguns santos que sejam como protetores da juventude, faróis no caminho e que os jovens tenham uma simpatia toda especial. Os santos e santas são nossos irmãos que caminharam antes de nós e agora do céu nos repetem uma única palavra “coragem”.

Diante da pessoa dos santos nos sentimos fortalecidos. Eles nos falam de Jesus e nos convidam a fixar o nosso olhar em Cristo, sempre jovem, que em nenhum momento de sua vida desanimou a ninguém, mas sempre soube dizer uma palavra de ânimo a todos, para que levantando-se do peso dos próprios pecados, pudessem retomar o caminho da santidade. As duas santas que foram escolhidas como padroeiras da Jornada Mundial da Juventude são jovens e são Carmelitas Descalças. Uma que já o é pela segunda vez, Teresa do Menino Jesus. Esta carmelita tem uma força de aglutinar a todos, de convencer a todos com sua simplicidade e exemplo, que é necessário não só amar a Deus, mas faze-lo amar. Ela que soube, do silêncio do seu Carmelo abraçar no amor toda a terra e ser missionária com a oração e com o sacrifício. Ela que dizia: “no céu vai começar o meu trabalho porque pedirei a Deus sempre por todos e farei cair uma chuva de rosas e de bênçãos”. É difícil encontrar-se com santa Teresa do Menino Jesus e não mudar de vida e não sentir nascer em nós o desejo de percorrer o pequeno caminho que ela inventou para as almas simples, frágeis como as nossas.

Teresa de Los Andes, a carmelita que ficou no Carmelo somente 11 meses e que morreu com vinte anos de idade, soube dar a Deus toda a sua vida e deixou, na sua espiritualidade, o amor pelos pecadores, pelos sacerdotes. Escolheu o Carmelo de Los Andes porque era o mais pobre do Chile. Esta santa que gostava de viver, correr, pescar, jogar tênis e cavalgar na fazenda do avô, era uma boa catequista que sabia se desprender de tudo para dar aos pobres. Uma jovem que abriu o seu coração a Deus e passando por noites escuras, ela diz: “Deus é alegria infinita”.

Que estas duas santas carmelitas descalças, uma da França e outra da América Latina, sejam para todos os jovens sinais vivos de uma presença de Deus e um estímulo a escolher o caminho de amor a Jesus pleno, a vocação ao sacerdócio, a vida religiosa, a vida contemplativa. A vida doada a Jesus e aos irmãos tem um valor imenso. Que conhecendo a vida destas duas carmelitas Descalças todos possamos sentir nascer me nós o desejo de seguir a Cristo com entusiasmo e amor.

Reflexão gentilmente enviada por Frei Patricio Sciadini,ocd, delegado geral da Ordem Carmelita no Egito.