"É hora de construir uma política que reconheça a centralidade da família"

Arcebispo de Turim fala na abertura da Semana Social dos Católicos italianos

Roma, (Zenit.org) | 452 visitas

"Seria um grande erro deixar a família relegada à esfera privada". Com estas palavras, dom Domenico Pompili, secretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e diretor do Escritório Nacional para as Comunicações Sociais, recebeu os jornalistas e profissionais da mídia na conferência de imprensa de abertura da 47ª Semana Social de Turim (12-15 setembro), no final da manhã de hoje.

O encontro, do qual participou em 1907 o beato Giuseppe Toniolo (Treviso, 7 de março de 1845 - Pisa, 7 de outubro de 1918) como sociólogo e economista, “segue três temas principais: ouvir as mudanças que estão ocorrendo, discuti-las e propor possíveis soluções para os problemas das famílias”, explicou Pompili. “É um exercício inspirado pela doutrina social da Igreja, que põe em causa a responsabilidade de cada um, dos pastores em primeiro lugar, com a competência dos leigos, reunidos para alcançar um objetivo comum”.

A palavra foi passada a seguir para dom Cesare Nosiglia, arcebispo de Turim e vice-presidente da Conferência Episcopal Italiana, que explicou como a cidade e a diocese se prepararam para o evento.

“É um momento muito esperado pela nossa diocese, mas também pela opinião pública. No início do processo de preparação, estabelecemos dois objetivos principais: tornar a reunião pública e apresentar as solicitações da nossa comunidade a partir da história de Turim, do Sudário e da experiência dos santos sociais, como testemunhos vivos, vividos na gratuidade”.

“A semana é também uma oportunidade de diálogo para os delegados das dioceses e das famílias. As famílias são os principais intervenientes e têm que ser compreendidas, incluídas como parte de uma comunidade e de uma sociedade. Somente no diálogo e no respeito é que podem surgir propostas construtivas”.

Dom Nosiglia sugeriu uma forte colaboração com o mundo político. “É hora de construir uma política que reconheça a centralidade da família, para restaurar a estabilidade em primeiro lugar, no desenvolvimento cultural e econômico. É essencial apoiar, também, a função educativa, promover a maternidade e o cudiado dos filhos, incentivar a renda familiar. Junto com os problemas que afligem a família hoje, há também muitos sinais positivos, e eu espero que cada família, independentemente da renda, seja rica em humanidade e em compromisso profundo. Precisamos criar um novo pacto social ‘para’ a família e ‘com’ a família. O palco desse diálogo, nesta ocasião, é a cidade de Turim, cuja história sempre se caracterizou pelo diálogo entre o mundo católico e o mundo laico”.

“Essas iniciativas tendem a enfatizar que podemos ter esperança diante de tantas vozes de desânimo”, disse dom Arrigo Miglio, arcebispo de Cagliari e presidente da Comissão Científica e Organizadora das Semanas Sociais. “Falar de família não é olhar para o passado. A Semana Social deve ser um convite para cada um de nós, para estarmos mais perto das situações de sofrimento das famílias que nos cercam. Estar perto significa entender, significa acompanhar, tornar perceptível a proximidade do amor de Deus”.

Após a intervenção da irmã Alessandra Smerilli, secretária da Comissão Científica e Organizadora das Semanas Sociais, que delineou o programa dos próximos dias, Luca Diotallevi, vice-presidente da comissão, encerrou a reunião salientando: “A família é cada vez mais um tema explosivo na Itália e na Europa continental. A relação entre homens e pastores deve ser revista à luz do Evangelho, como foi sugerido pelo Santo Padre”.

Entre os convidados esperados, destaca-se a presença do primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, nesta sexta-feira de manhã.