É necessário o empenho de todos para construir uma sociedade verdadeiramente mais justa e solidária

As palavras do Papa no primeiro Angelus do ano

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 840 visitas

Após a celebração da Eucaristia da Solenidade da Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz, na Basílica Vaticana, o Papa Francisco rezoua oração mariana do Angelus com os fiéis presentes na Praça São Pedro. Antes da oraçao, ele pronunciou as seguintes palavras:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e feliz ano novo!

No início do ano novo dirijo a vocês minhas felicitações mais cordiais de paz e de bem. Meus augúrios são os da Igreja, são cristãos! Não com sentido um pouco mágico ou fatalista de um novo ciclo que começa. Nós sabemos que a história tem um centro: Jesus Cristo, encarnado, morto e ressuscitado, que está vivo no meio de nós; e tem um fim: o Reino de Deus, Reino de paz, justiça, liberdade, amor; e tem uma força que move em direção àquele fim: a força é o Espírito Santo. Todos nós temos o Espírito Santo, que recebemos no Batismo, e Ele nos encoraja a seguir em frente no caminho da vida cristã, no caminho da história, para o Reino de Deus.

Este Espírito é a potência do amor que fecundou o ventre da Virgem Maria, e é o mesmo que anima os projetos e obras de todos os construtores da paz. Onde há um homem ou uma mulher construtor da paz, é o próprio Espírito Santo que está a ajudar, levando-os a realizar a paz. Duas estradas se entrecruzam hoje: a festa de Maria Santíssima Mãe de Deus e o Dia Mundial da Paz. Oito dias atrás ecoou o anuncio angélico: "Glória a Deus e paz aos homens"; hoje nós o acolhemos novamente da Mãe de Jesus, que "guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração" (Lc 2,19), para nos comprometer durante o ano que se inicia.

O tema do Dia Mundial da Paz é "Fraternidade, fundamento e caminho para a paz". Fraternidade: na estrada dos meus antecessores, começando por Paulo VI, eu desenvolvi o tema em uma mensagem, já difundida, e que hoje entrego a todos. Na base está a convicção de que somos todos filhos do único Pai Celeste, fazemos parte da mesma família humana e partilhamos um destino comum. Disso deriva a responsabilidade de cada um de atuar, para que o mundo se torne uma verdadeira comunidade de irmãos, que se respeitam e aceitam as diversidades e cuidam uns dos outros. Nós somos chamados a dar-nos conta das violências e das injustiças em muitas partes do mundo, e que não nos podem deixar indiferentes e paralisados: é necessário o empenho de todos para construir uma sociedade verdadeiramente mais justa e solidária. Ontem, recebi a carta de um senhor, talvez um de vocês, que me colocando a par de uma tragédia familiar, enumerou as tragédias e guerras de hoje, no mundo, e me perguntou: o que acontece no coração humano, que é levado a fazer tudo isso? E ele disse, no final: "É hora de parar". Eu também acho que vai fazer bem parar este caminho de violência, e buscar a paz. Irmãos e irmãs, faço minhas as palavras deste homem: o que acontece no coração do homem? O que acontece no coração da humanidade? É hora de parar!

De todos os cantos da terra, os crentes elevam suas orações para pedir ao Senhor o dom da paz e a força para levá-la a todos os ambientes. Neste primeiro dia do ano, que o Senhor nos ajude encaminharmo-nos mais decididamente no caminho da justiça e da paz. E comecemos em casa! Justiça e paz em casa, entre nós. Começa em casa e, em seguida, continua, para toda a humanidade. Mas temos que começar em casa. Que o Espírito Santo atue nos corações, desfaça a rigidez e as durezas e nos conceda a graça de enternecermos diante da fragilidade do Menino Jesus. A paz, de fato, exige a força da mansidão, a força não violenta da verdade e do amor.

Nas mãos de Maria, Mãe do Redentor, coloquemos, com confiança filial, as nossas esperanças. Para ela, que estende a sua maternidade a todos os homens, confiemos o grito de paz dos povos oprimidos pelas guerras e violências, para que a coragem do diálogo e da reconciliação prevaleça sobre a tentação da vingança, da prepotência, da corrupção. Peçamos que o Evangelho da fraternidade, anunciado e testemunhado pela Igreja, possa falar às consciências e abater os muros, que impedem aos inimigos de se reconhecer irmãos.

(Depois do Angelus)

Irmãos e irmãs,

eu gostaria de agradecer ao Presidente da República Italiana pelos bons votos que me dirigiu ontem à noite, durante a sua mensagem à nação. Retribuo de coração, invocando a bênção do Senhor sobre o povo italiano, de modo que, com a contribuição responsável e solidária de todos, possa olhar para o futuro com confiança e esperança.

Saúdo com gratidão as muitas iniciativas de oração e compromisso com a paz que ocorre em todas as partes do mundo, por ocasião do Dia Mundial da Paz. Recordo, em particular, a Marcha Nacional que teve lugar ontem à noite em Campobasso, organizado pela CEI, Caritas e Pax Christi. Saúdo os participantes do evento "Paz em todas as terras”, promovido em Roma e em muitos países pela Comunidade de Santo Egídio. Assim como as famílias do Movimento do Amor Familiar, que fizeram vigília nesta noite na Praça de São Pedro. Obrigado! Obrigado por esta oração.

Dirijo uma cordial saudação a todos os peregrinos presentes, as famílias e os grupos de jovens. Um pensamento especial para os "Cantores da Estrela", crianças e jovens que na Alemanha e na Áustria, levam a bênção de Jesus às casas e recolhem ofertas para as crianças que têm necessidades básicas. Obrigado pelo empenho! Saúdo também os amigos e voluntários da Fraterna Domus.

Desejo a todos um ano de paz, na graça do Senhor e sob a proteção materna de Maria, que hoje invocamos com o título de "Mãe de Deus". O que vocês acham de todos juntos, cumprimentá-la agora, dizendo três vezes: "Santa Mãe de Deus"? Todos juntos: Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus! Bom começo do ano, bom almoço e adeus!

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(Trad.:MEM)