É preciso fazer emergir as razões de crer, afirma cardeal
Isso se dá quando se aprofunda a mensagem cristã, com docilidade ao Espírito
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SALVADOR, terça-feira, 18 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O cardeal Geraldo Agnelo convida os fiéis a fazerem «emergir as razões de crer», pois «a fé não é cego fideismo».
«Cristo é o nosso Deus e o nosso Salvador. Mas como não ser tentados pela dúvida, se até um apóstolo acreditou somente depois de ter tocado com a mão? A razão é colocada à dura prova», afirma o arcebispo de Salvador (Brasil), em artigo enviado hoje a Zenit.
Todavia, afirma Dom Geraldo, quando «se aprofunda a mensagem cristã, com docilidade ao Espírito de Deus, emergem também as ‘razões’ da nossa fé, como um sinal que o Senhor colocou em nosso caminho de encontro com ele».
Sinais «são as palavras luminosas de Jesus», «seus milagres», «a autoridade com que Jesus fala de Deus Pai, mostrando conhecer-lhe o coração por dentro, como um que habita nele desde sempre».
«Sinal é a liberdade com a qual Jesus manifesta as exigências de Deus», «é a sua ressurreição, atestada pelos discípulos e subscrita com o seu martírio».
De acordo com o arcebispo, a esses sinais da vida histórica de Jesus acrescentam-se «os espalhados em dois mil anos de cristianismo», pelo testemunho dos santos, que «são o seu ‘reflexo’ vivo na história».
«Os sinais continuam na lógica do amor. Devemos fazer emergir as razões de crer: a fé não é cego fideismo. É importante, porém, saber que os sinais do mistério não são fórmulas matemáticas.»
«São a ação da graça iluminante, colocam-se ao nível de uma relação de amor, onde as razões para escolher e para confiar-se são não um cálculo racional, mas o confluir entre coisas experimentais e a confiança que cresce sobre a onda do amor», destaca.
Por isso, explica o arcebispo, o encontro com Jesus acontece sempre sobre a base do anúncio dos discípulos.
«Um anúncio que se faz proposta de comunhão, dilatação de amizade: quem tem Jesus por amigo o apresenta aos outros, para que entrem também eles nesse maravilhoso giro que conduz, em definitivo, à comunhão das três Pessoas divinas».
Dom Geraldo considera que o grande anúncio hoje «se dará pelo testemunho cristão do amor vivido pelos seguidores do Mestre, nosso redentor».
Isso «através do perdão, da misericórdia, da defesa da vida e dignidade da pessoa humana, da verdade e da justiça, da fraternidade, da solidariedade e da construção da paz».


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