É urgente uma educação à fé para as novas gerações.

O discurso do Pontífice na Audiência aos Bispos norte-americanos em visita "ad limina"

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Por Salvatore Cernuzio

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 7 de maio de 2012 (ZENIT.org) - A importância da educação religiosa e da formação na fé das novas gerações.

Estes foram os temas centrais do discurso que Bento XVI dirigiu ao grupo de Bispos da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América, em visita "ad limina Apostolorum", recebidos sábado, 5 de maio, no Vaticano.

Depois do discurso de homenagem de Sua Excelência Mons. Michael Jarboe Sheehan, Arcebispo de Santa Fé, em nome dos Bispos da XIII Região, o Papa cumprimentou os presentes colocando logo a atenção para o problema da educação católica para a sociedade americana, em especial no compromisso da nova evangelização.

"Muitas vezes - disse o Papa - escolas e universidades católicas fracassaram na tarefa de fortalecer a fé dos seus alunos". Isso poderia criar sérias consequências porque as escolas "continuam a ser um recurso essencial para a nova evangelização", sublinhou.

A exortação é especialmente para aqueles que ensinam disciplinas teológicas "para respeitarem o mandato da autoridade eclesial e para manter-se em comunhão com a Igreja".

Muitos bispos, disse o Papa Bento, têm destacado a necessidade de "reafirmar a identidade distintiva" das escolas católicas como "fidelidade aos ideais fundadores e à missão da Igreja ao serviço do Evangelho."

Nesse sentido, deve ser denunciada aquela"confusão criada por instâncias de aparente dicidência entre alguns representantes das Instituições Católicas e da liderança pastoral da Igreja". Tal “discórdia – explicou o Santo Padre – causa danos ao testemunho da Igreja e pode ser facilmente explorada para comprometer a sua autoridade e liberdade”, como a experiência já tem demonstrado.

Ressaltando novamente a necessidade de uma sólida educação na fé para os jovens, Bento XVI afirmou que esta “representa o desafio mais urgente que deve afrontar a comunidade católica no vosso País”.

No entanto, afirmou, "a tarefa essencial de uma autêntica educação em todos os níveis, não é somente aquela de transmitir o conhecimento”, mas também de “formar os corações”.

Esta formação mais íntima e profunda pode-se realizar, de acordo com o Papa, "equilibrando constantemente o rigor intelectual na comunicação da riqueza da fé da Igreja com a formação dos jovens no amor de Deus, na prática da moral cristã e da vida sacramental e na oração pessoal e litúrgica”.

É claro, neste ponto, que “a questão da identidade católica, não somente nos ateneus, é muito mais que só o ensinamento da religião ou a mera presença de uma capelania no campus”.

"Muitas vezes – constatou o Papa - parece que as escolas católicas e as faculdades falharam” no estimular os próprios estudantes no “reapropriar-se da fé” como parte do próprio crescimento intelectual. Por outro lado, observou com pesar, esta situação reflete o fato de que muitos estudantes estão hoje desligados não só da escola, mas também da família e da comunidade, que  “antes facilitavam a transmissão da fé”.

Aumenta, portanto, a responsabilidade das instituições católicas às quais "pede-se criar ainda mais uma rede de apoio”, a fim de "superar a crise atual das universidades." À luz disto, "os alunos devem ser incentivados a desenvolver uma visão de harmonia entre fé e razão que possa guiar suas vidas" e, claro, os professores, desenvolvendo o próprio papel, devem inspirar os outros com o “seu amor evidente por Cristo”.

O convite final é, portanto, que as instituições católicas, assim como todos os intelectuais cristãos, acreditem firmemente que "nenhum aspecto da realidade permanece alheio ou não tocado pelo mistério da redenção de Cristo Ressuscitado” e, convencidos disso, estejam desejosos de anunciá-lo aos outros.