Educação: antídoto contra exploração da religião pela política

Cardeal Scola no encontro sobre “A educação entre fé e cultura” no Líbano

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JOUNIEH, quinta-feira, 24 de junho de 2010 (ZENIT.org) - A educação autêntica é o verdadeiro antídoto contra a exploração da religião com fins políticos, afirmou o cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza, em uma entrevista à Rádio Vaticano.

Na entrevista, o cardeal se referiu à conferência que pronunciou no dia 21 em Jounieh, próximo de Beirute, onde foi realizado o 6º encontro da Fundação Internacional Oasis, com o tema "A educação entre a fé e cultura".

A Fundação Oasis foi instituída em 2004 por este mesmo cardeal e tem como objetivo promover o conhecimento recíproco entre cristãos e muçulmanos.

"A educação - educação autêntica - é o verdadeiro antídoto contra o risco de que a política, a ideologia política, se converta em parasita da religião", afirmou o cardeal Scola.

"No ano passado, falamos da tradition e vimos que a tradição é uma palavra morta se não passar por uma proposta educativa que permita a cada geração assimilar a tradição, se abrindo às novidades indispensáveis", explicou.

O cardeal citou o sistema escolar libanês, dizendo que "o problema do diálogo, da integração, não só entre cristãos e muçulmanos, mas também com os drusos" existe no sistema e que "as próprias comunidades cristãs se encontram diante de uma grande diversidade de ritos".

Explicou ainda que o confronto entre as diferentes escolas permitiu colocar em evidência "pontos muito interessantes para enfrentar o problema da coexistência pacífica entre os muçulmanos e os cristãos, entre os ocidentais e os orientais, também neste momento extremamente delicado".

O cardeal destacou que no Líbano, "onde há diversas universidades e um sistema de escolas muitas vezes avançado, que são os de escolas livres ou do Estado, há escolas e escolas, das quais saíram também tanto militantes violentos como homens de paz".

Segundo o purpurado, a função da escola é mais decisiva do que nunca. "Há homens, não só de enfoque cristão, mas também muçulmano, que são muito conscientes dos difíceis problemas que existem".

"Nós sempre voltaremos ao mesmo ponto: não podemos deixar que a ideologia se converta em um parasita da religião", advertiu.

"A religião cai no fundamentalismo quando não é vista claramente a relação entre a verdade e a liberdade; e isso é produzido quando a ideologia política se converte em um parasita da religião, utiliza a religião para seu próprio projeto."

"E a educação, a educação autêntica, é o verdadeiro antídoto contra este risco - concluiu -, contra o risco de que a política, a ideologia política se converta em uma parasita da religião."