Egípcios protestam em Roma contra Mursi e Obama

Cairo: início das consultas para o governo provisório

Roma, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 308 visitas

A comunidade egípcia em Roma toma as ruas por dois domingos seguidos (30 de junho e 7 de julho) pedindo mudança. Na Piazza Santi Apostoli os manifestantes protestaram pelademissãodo presidente Mohamed Mursi e a retirada deste pelo exército - contra a Irmandade Muçulmana e quem a incentiva.

As palavras de ordem são: "sai" e "ditador". Muitos cartazes representavam a imagem do então ex-presidente egípcio marcado por uma cruz diagonal. Um dos desenhos retratava o político ameaçado por um martelo.

Na mira dos egípcios que residem em Roma está Barack Obama: o presidente dos EUA é visto como um símbolo do imperialismo que impõe democracias fictícias, enterrando a liberdade no país norte africano. Uma bandeira trazia a frase em Inglês: "Obama, pare de interferir. Nós não somos estátuas, somos seres humanos”.

Abordado por ZENIT, uma manifestante egípcia expressou sua admiração: como é que a imprensa italiana tem descrito a deposição de Mursi como um "golpe de estado"? Como é possível que os Estados Unidos e o Ocidente se dizem preocupados com a democracia, quando o governo da Irmandade Muçulmana, com a nova constituição, tinha reprimido a liberdade?

Entre os egípcios em Roma (nas manifestações dos dois últimos domingos estavam presentes sobretudo cristãos coptas) parece prevalecer o apoio ao novo rumo do país, fortemente desejado pelos 22 milhões que assinarampela renúncia de Mursi.

Enquanto isso, no Cairo, o premier nomeado Hazem El Beblawi iniciou as consultas para a formação do governo provisório. Apesar de alguns ministérios, como o do Interior e dos Negócios Estrangeiros permanecerem nas mãos do governoprecedente, a Irmandade Muçulmanase colocou fora donovoexecutivo, definindo a atual fase de transição um verdadeiro "golpe militar".

Os protestos em apoio ao ex-presidente Morsi continuam, e a Procuradoria Geral do Cairo emitiu um mandado de prisão contra nove membros da Irmandade Muçulmana. Entre as pessoas procuradas está o líder Muhammad Badia e o vice Mahmud Izzat Ibrahim. A acusação é de "incitação ao homicídio e a violência”.