Egito: o bispo de Assiut se mostra contrário à execução de 529 muçulmanos

Muitos dos condenados à morte possivelmente atacaram cristãos coptas e as suas igrejas

Roma, (Zenit.org) Ivan de Vargas | 421 visitas

O Supremo Tribunal do Egito ordenou nesta segunda-feira (24) a morte mais massiva da história moderna do país. Um total de 529 pessoas foram condenadas à pena de morte capital pelo ataque a uma delegacia de polícia na província do sul de Minya, em meados de agosto, no qual morreu um coronel da polícia. Mais de 300 dos acusados ​​foram julgados à revelia , em julgamento que levantou muita controvérsia por sua falta de garantias processuais.

"É duvidoso que esta sentença seja aplicada. Quase certo que será anulada. Mas é muito preocupante o fato de que tenha sido declarada”, tuitou o analista político H.A. Heller, de Brookings Institution.

Além disso, diferentes organizações responsáveis ​​pela defesa dos direitos humanos coincidiram em destacar que o judiciário egípcio está altamente politizado e não é realmente independente do poder executivo, protegido pelos militares.

"Mesmo que sejam julgados à revelia não se pode condenar à morte 529 réus em três dias", disse Al Ahram Gamal Eid, diretor da Rede Árabe para a Informação dos Direitos Humanos. Em sua opinião, o veredicto é "um desastre" e "um escândalo" para o Egito.

Enquanto isso, Nasser Amin, membro do Conselho Nacional para os Direitos Humanos, disse em sua conta do Twitter que esta decisão judicial será "cancelada" quando os recorrentes solicitarem um novo julgamento.

Espera-se que os advogados de defesa recorram ao veredicto nos próximos dias. Segundo a lei egípcia, toda pena de morte firme deve contar com a ratificação do Grande Muftí da República, uma autoridade religiosa, antes de ser executada.

O referido ataque foi realizado horas depois de que o desmantelamento dos acampamentos em Raba el Adawiya pelo Exército acabou em um massacre de seguidores dos Irmãos Muçulmanos. Morreram centenas de islamistas que já estavam a um mês e meio concentrados no protesto pela derrubada do presidente Mohamed Morsi. Como retaliação, os seguidores de Morsi atacaram várias delegacias e igrejas, principalmente nas áreas de Minya , Assiut e Sohag.

Apesar de que, provavelmente, muitos desses condenados à morte estiveram implicados em vários atos de violência dos Irmãos Muçulmanos contra os cristãos, o bispo copto-católico de Assiut, monsenhor Kyrillos William se manifestou contra a sua execução e contra a pena de morte em geral, em declarações recolhidas por Fides.

"A situação é complicada. Por um lado, está a dureza deste julgamento, que não é definitivo, e é preciso esperar. De qualquer forma, a Igreja é contra a pena de morte. Desde o ponto de vista da consciência cristã, a condenação capital não pode representar nunca um caminho para resolver os problemas de forma justa”, explicou.

"Muitos duvidam que o Grande Muftí confirme as condenações. Já em outras ocasiões os juízes que emitiram a sentença se distinguiram por terem aplicados penas duríssimas. Muitos pedem que seja aplicada penas exemplares contra a violência sectária. Mas a pena de morte não pode representar uma solução”, insistiu o bispo de Assiut.

[Trad.TS]