Em meios às dificuldades de nosso tempo, é preciso buscar alegria, diz arcebispo

A alegria da condição de discípulo, destaca Dom Walmor Oliveira de Azevedo

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Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 25 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Em tempos que se caracterizam pela «rapidez, agilidade, multiplicidade» e revelam «inconsistências na interioridade das pessoas», é preciso buscar a verdadeira alegria para o coração, afirma um arcebispo brasileiro.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (Minas Gerais), recorda, em artigo enviado a Zenit esta sexta-feira, o «convite com força de convocação» lançado pela V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe em seu documento final: «a importância da alegria de ser discípulo».

«Esta é uma indicação que se localiza na contramão do entendimento vigente na sociedade contemporânea quando se trata de conquistar esta demanda e meta do coração humano, a alegria», afirma.

Segundo o arcebispo, na dinâmica da cultura contemporânea existe a ilusão de que «a alegria desejada e buscada se consegue na medida em que se conquista o lugar de mestre e não de discípulo».

Mas – prossegue Dom Walmor –, «sob a égide de ser mestre, isto é, melhor em tudo e do que todos, detentor de todo saber e poder, se articulam grandes defeitos da convivência humana e da eleição das prioridades, comprometendo a ordem social, política e relacional».

Para o arcebispo de Belo Horizonte, esta dinâmica empurra os corações numa busca da alegria a todo custo, «um sacrifício enorme é imposto à condição humana», «um horror que não leva à conquista desta alegria que um discípulo pode ter».

Dom Walmor destaca «como é impressionante constatar o alto nível de insatisfação das pessoas, projetando as lacunas de sua interioridade nas avaliações da realidade e a respeito dos outros»; «uma insatisfação que incomoda e joga a pessoa numa busca desarticulada desta alegria».

O prelado afirma ainda ser «uma loucura a ligação da busca da alegria com o instigante das estatísticas e dos números a serem conquistados».

«Terrível é a incapacidade de lidar com as expectativas frustradas ou a dificuldade de acompanhar processos na paciência indispensável de esperar desdobramentos e configurações para se atingir metas importantes», escreve.

Entre os jovens, o arcebispo adverte da «tendência a encontrar esta alegria a qualquer preço e até de qualquer maneira, com os riscos de escolhas comprometidas como é a dependência química e o desvario da permissividade sexual».

Já entre os mais vividos, aponta «o risco do desânimo e do cansaço, até da desistência jogando a culpa nos outros e nos funcionamentos institucionais que não correspondem ajustadamente às próprias expectativas e necessidades».

Segundo Dom Walmor, é preciso buscar e «encharcar a vida» com a verdadeira alegria. Como o Documento de Aparecida indica, «esta é a alegria do discípulo».

«‘A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa-nova do amor de Deus’», cita.

Para o arcebispo de Belo Horizonte, «a condição de discípulo de Jesus Cristo é o caminho-fonte para esta experiência de conquistar e experimentar a alegria».

«Esta alegria não é gerada e contabilizada em números e funcionamentos, simplesmente. Suas raízes são mais profundas», enfatiza.

«Esta alegria brota nos corações pela experiência e pela iluminação única que vem da consciência alegre do encontro com Cristo», afirma Dom Walmor.