Em tempos de crise, ouvir a consciência, indica arcebispo

Voz que se manifesta quando são articulados valores e princípios

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BELO HORIZONTE, segunda-feira, 24 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- No contexto da crise econômica, um arcebispo brasileiro considera que é urgente ouvir a voz da consciência.

Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, a voz da consciência se manifesta «quando são articulados valores e princípios no tecido próprio da consciência».

É preciso recuperar a «indispensável sensibilidade que a fidelidade a valores e princípios proporciona para que seja forte, interpelante e límpida a voz da consciência», explica o arcebispo de Belo Horizonte, em artigo enviado a Zenit na sexta-feira passada.

«Calada a voz da consciência, por comprometimento do seu tecido, crescem a corrupção, o desrespeito aos direitos dos outros, a indiferença fazendo vista grossa à situação dos mais pobres, a leviandade da justificação de ações, o comprometimento da verdade.»

Segundo o arcebispo, «o apreço à verdade é fonte para a limpidez da voz da consciência, gerando e sustentando escolhas, condutas e ações de acordo com o bem», afirma.

«O comprometimento da verdade dá lugar a arbitrariedades e atinge as exigências objetivas da moralidade. As exigências objetivas da moralidade têm sido comprometidas sobremodo no contexto da sociedade contemporânea», considera.

Dom Walmor afirma que «considerações e explicações concernentes a crises, em diferentes âmbitos, especialmente sublinha-se o âmbito econômico, não convencem».

«Como convencer-se da verdade ao considerar o quadro mundial no qual se inscrevem conjuntamente a injeção de trilhões de dólares para socorro de financeiras, bancos e seguradoras em comparação de dois bilhões de dólares apenas, dos 22 bilhões destinados pela FAO/ONU, no enfrentamento da situação deplorável de um bilhão de seres humanos passando fome e em situação de miséria?»

«Onde está a verdade deste quadro? Onde estará mesmo a crise mais grave? Quem conseguirá explicar e convencer a respeito do uso de critérios e prioridades na definição de projetos e de ações? O dinheiro compromete a verdade», afirma.

O arcebispo de Belo Horizonte recorda que «a comunicação pública e a economia têm obrigações morais com a sociedade, particularmente diante das respostas que precisam ser dadas em se tratando da situação dos excluídos».

«Se a voz da consciência se cala diante desta complexa e grave situação, bem como diante daquelas situações menores que incluem práticas desonestas de indivíduos, agravando as práticas sistêmicas de desonestidade, não se encontrará saída para esta vergonhosa situação de corrupção aumentando a pobreza.»

«Calada a voz da consciência não se avançará muito na luta pela regulação justa da economia, das finanças e do comércio mundial. Sem a voz da consciência não vai se conseguir controlar os movimentos especulativos de capitais.»

Se a voz da consciência --prossegue Dom Walmor--, «articulada pelo respeito a valores e fidelidade a princípios, não se fizer ouvir, valerá sempre o desejo incontrolável de lucro e nunca, mesmo com as mais sofisticadas teorias, vai se conseguir a promoção de um comércio justo, assegurar preços adequados e normas justas para investimentos e serviços».

«Assim como não se conseguirá transparência e respeito em cada ato individual sem trazer comprometimentos para a cidadania. É urgente e é hora de ouvir a voz da consciência», afirma.