Em todos os lares brasileiros deve reinar a consciência de que o aborto é crime, diz bispo

Esse tem de ser o primeiro fruto da Semana da Vida, afirma Dom Rafael Llano Cifuentes

| 1014 visitas

NOVA FRIBURGO, quarta-feira, 4 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- O primeiro fruto que o bispo responsável pela Comissão para a Vida e a Família da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) espera da Semana da Vida --que se realiza no país de 1 a 8 de outubro-- é que em todos os lares brasileiros reine a consciência de que o aborto é um crime.



Segundo Dom Rafael Llano Cifuentes, qualquer método artificial para destruir esse novo ser humano que surge após a fecundação é um assassinato.

«Qualquer ser humano que está dentro do seio materno tem direito à vida», enfatiza o bispo de Nova Friburgo (Estado do Rio de Janeiro, sudeste do Brasil).

Em entrevista a Zenit, Dom Rafael Cifuentes comentou que, em encontro recente em Roma com bispos da América Latina, praticamente todos referiram de uma «pesada orquestração internacional para promover o aborto em seus respectivos países».

Dom Rafael recorda que tramita no Congresso Nacional brasileiro um substitutivo do Projeto de Lei 1.135, de 1991, cuja relatora é a deputada Jandira Feghali, do Partido Comunista do Brasil, que define o aborto como um direito da mulher.

O Projeto propõe extinguir do Código Penal Brasileiro todos os artigos que definem o crime de aborto.

«Esse projeto permitiria o aborto como procedimento da gestante realizado desde o início da gravidez até o momento do nascimento, ou seja, até o nono mês, o que é uma barbaridade», recorda o bispo.

--O que é ser um cristão a favor da vida, em defesa da vida?

--Dom Rafael Cifuentes: Um cristão tem de ser homem em primeiro lugar e seguir a lei natural. Não é preciso ser católico para seguir a lei natural. A ciência nos explica o início da vida. O pensamento de Jérôme Lejeune, que foi professor da Universidade René Descartes, em Paris, que dedicou toda sua vida ao estudo da genética fundamental e foi o descobridor da Síndrome de Down, nos diz que a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos femininos, todos os dados genéticos que definem um novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco do início da vida, ele diz. E daí para frente, qualquer método artificial para destruir esse novo ser humano é um assassinato. Então é lógico que o cristão defenda a vida, quer dentro do seio materno, quer fora do seio materno. A posição do cristão é claríssima: se existe vida, tem de ser defendida. Como a ciência diz que existe vida depois da fecundação, o cristão não pode ter outra posição.

--Que frutos que o senhor deseja para esta Semana da Vida no Brasil?

--Dom Rafael Cifuentes: O principal é que se tome consciência de que qualquer ser humano que está dentro do seio materno tem direito à vida, tenha doença ou não tenha, esteja ou não a mãe com rubéola ou qualquer outra doença que possa afetar o filho. Ter consciência de que o anencéfalo não é um ser morto, e, portanto, como um ser vivo, não pode ser trucidado dentro do seio materno. Ter consciência de que uma mulher, se porventura sofre estupro e fica grávida, ela deve ter todo suporte e apoio, tem de receber a devida compaixão, assim como a mãe de um anencéfalo, mas o ser humano que está dentro de seu seio tem o direito de sobreviver.

--Há o imperativo de se recordar então os direitos do filho?

--Dom Rafael Cifuentes: Em diversos casos de gravidez, as pessoas seguem muitas vezes um sentimentalismo que diz: coitada da mãe, que está sofrendo, e nós dizemos, coitado do filho, pois estão querendo matá-lo. Nós temos de ser advogados daqueles que não têm advogado, porque a mãe tem advogado, mas o filho que está dentro do seio materno não tem. Ele nem pode protestar. Já se escutaram, através de sistemas de ultra-som e outros, os gritos do bebê trucidado quando se faz um aborto. São gritos horrorosos. Então isso tudo deve ser projetado para que as pessoas tomem consciência de que o aborto é um crime. Eu penso que esta é a primeira consciência que deve reinar em todos os lares brasileiros.