Em visita ad limina, cardeal Barbarin defende ciganos

Prelado pede uma política europeia conjunta

| 480 visitas

ROMA, terça-feira, 4 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) – Em defesa dos ciganos, o cardeal francês Philippe Barbarin propôs que o papa Bento XVI "incentive os governos europeus a se unirem em torno desta questão para dar a ela uma resposta digna e duradoura".

Os bispos franceses das províncias de Clermont, Marselha, Montpellier, Toulouse, Lyon e Mônaco se encontraram com Bento XVI em visita ad limina. O cardeal Barbarin, arcebispo de Lyon, fez um discurso sobre a situação dos ciganos, manifestando primeiramente, em nome do grupo, a sua gratidão "pelos encontros em pequenos grupos" com Bento XVI, "num clima de simplicidade e de intercâmbio muito fraternal", "para ouvir as nossas questões, que entendemos que também são suas".

A questão do povo cigano rom na França suscitou protestos das autoridades europeias devido ao tratamento recebido por eles durante a presidência de Sarkozy.

O cardeal destacou o "problema doloroso” dos "ciganos nômades e dos rom". “Eles são numerosos em nossas cidades, muitas vezes mal aceitos e até expulsos", lamentou.

Agradecendo pela "atenção" especial do papa aos emigrantes e refugiados, Barbarin afirmou: "Seu apelo para que nunca mais o seu povo seja objeto de vexações, de rejeição e de desprezo é um grande consolo para eles".

"Os nossos sucessivos governos agem de maneira incerta a este respeito. A solução não pode vir de uma nação apenas", continuou o cardeal, antes de formular o pedido: "É possível, santo padre, que sua santidade encoraje os governantes da Europa a abraçarem esta questão para dar a ela uma resposta digna e duradoura?".

Para o cardeal, "a palavra da Igreja marca. Ela pode modificar as ideias e mudar as atitudes".

Citando Bento XVI, que advoga "pelo direito de não emigrar", Barbarin fez votos de uma "reequilibrada distribuição das riquezas entre os povos".

Evocando a crise econômica e o desemprego, que "golpeiam duramente uma grande parte da população", os bispos lançaram ainda "um alerta, porque os mais pobres sofrem violências que não são reconhecidas como tais".

Por outro lado, há também grandes esperanças. Embora as dioceses da França tenham passado por "uma diminuição dos efetivos [de católicos]", com redução na quantidade dos batizados, dos casamentos, das vocações sacerdotais e religiosas, e apesar de que "a sociedade desorientada perca o sentido dos valores fundamentais", o cardeal enxerga "um verdadeiro despertar espiritual".

Ele enumera "os catecúmenos que despertam as nossas comunidades e que nos trazem uma grande alegria", "o número de fiéis, que deixou de cair nas missas dominicais", "a volta de vários que tinham se afastado e de muitos que querem reaprender a orar, sozinhos, com os outros ou em família".

Numerosos cristãos, "jovens e adultos", se sentem "profundamente comprometidos e corresponsáveis com os seus pastores pela missão da Igreja": "Nosso Senhor acendeu o fogo nos seus corações", continuou o cardeal.

"Estão se multiplicando as iniciativas de evangelização através da música, do esporte, da internet, do twitter e do facebook, e dos novos meios de comunicação em geral". "Se as pessoas não vêm até as nossas igrejas, nós temos que ir ao encontro delas".

O cardeal também destacou a "longa tradição de ecumenismo e de diálogo inter-religioso" das dioceses representadas, que anunciam para dezembro o segundo Fórum Islâmico-Cristão, em Lyon.

O cardeal terminou agradecendo por "todos os presentes" de Bento XVI: seu "magistério sempre rico e acessível", "o ano de São Paulo", "o ano sacerdotal", "o Ano da Fé" e, finalmente, o livro “A infância de Jesus", uma boa leitura para o tempo do advento.

(Trad.ZENIT)