Embaixador de Israel perante a Santa Sé: A viagem do papa será uma pedra angular da paz

Zion Evrony considera que a viagem de Francisco ao seu país impulsionará o diálogo inter-religioso e a paz na região

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 379 visitas

Durante um café da manhã de trabalho nesta terça-feira em Roma com embaixadores e jornalistas, o embaixador de Israel perante a Santa Sé, Zion Evrony, considerou que a viagem do papa Francisco ao seu país será muito positiva e dará um forte impulso ao diálogo inter-religioso e à paz na região.

“No domingo, 25, o papa Francisco iniciará a sua visita a Israel. Será uma nova pedra angular de importância histórica, não só nas relações entre Israel e a Santa Sé, mas também entre a Igreja católica e o povo judeu”, declarou.

O encontro de hoje foi organizado pela Mediatrends (www.mediatrendsamerica.com) América Latina e pela espanhola Fundação Promoção Social da Cultura (FundacionFPSC.org).

Perguntado por ZENIT sobre o significado de um papa acompanhado na viagem por um muçulmano e um rabino, o embaixador Evrony considerou a novidade muito positiva.

“Acho que este gesto é muito importante para promover o diálogo inter-religioso, que é a base da compreensão recíproca para a reconciliação e a paz”, disse, completando que “o diálogo inter-religioso pode abrir espaço para a compreensão política. A viagem de um papa acompanhado por um líder religioso muçulmano e por um rabino, ou seja, três representantes das três grandes religiões monoteístas, terá um impacto fundamental na Terra Santa”.

O diplomata israelense, ao responder ao embaixador argentino perante a Santa Sé, Juan Pablo Cafiero, sobre o impacto da visita de um papa latino-americano a Israel, recordou que Francisco “vem de uma terra em que já tinha visitado uma sinagoga antes de ser papa e já tinha criado relações com a comunidade judaica na Argentina e participado de um programa televisivo junto com o rabino Skorka”. “A experiência pessoal de cada papa tem influência na relação, no estilo e na natureza da visita”.

Das visitas dos três papas a Israel, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, todos europeus, ele falou com mais destaque da de João Paulo II, “que cresceu numa cidade próxima de Cracóvia em que havia uma importante comunidade judaica; ele teve amigos judeus e pôde ver com seus próprios olhos o horror do Holocausto. Ele estava numa cidade próxima de Auschwitz e isso teve importância na sua relação com a comunidade judaica, uma relação já iniciada por João XXIII”.

O embaixador recordou também que “o papa Francisco foi testemunha de dois ataques na Argentina contra alvos judeus e sempre se identificou com o sofrimento do povo judeu”. Antes de ser papa, ele “fez uma declaração contra o terrorismo e falou contra o uso da violência em nome da religião e em nome de Deus, coisa que ele qualificou de inaceitável”.

Pouco antes, o diplomata recordou que Bergoglio esteve em Israel em outubro de 1973, quando era provincial dos jesuítas, visitando durante dois dias a Galileia e indo também a Jerusalém. Mas o conflito do Yom Kippur o obrigou a ficar no hotel: "Ele empregou muito tempo lendo a bíblia, mas não teve muita oportunidade de visitar Israel".

Sobre o processo de paz, respondendo ao embaixador da Costa Rica junto à Santa Sé, Fernando Sánchez Campos, o embaixador Evrony reconheceu que, “neste momento, o processo de paz está parado” e que o papa é “um grandíssimo líder espiritual, um mensageiro de paz e tem como tema central dos seus discursos e homilias a luta pela paz”. Evrony recordou que, “quando chegar a Israel, o papa deverá falar com os líderes religiosos, com a comunidade de cristãos, que tem vários milhares de pessoas, e a mensagem dele de paz terá um impacto muito forte e central nos seus discursos”, porque “os líderes religiosos e espirituais podem ajudar a reduzir a animosidade que existe entre as duas partes em conflito e contribuir com a construção de pontes”.

Quanto ao diálogo inter-religioso, Evrony acrescentou que “a visita trará resultados positivos, cinquenta anos depois do documento Nostra Aetate, quando começamos a pensar nas nossas relações com a Santa Sé”. O embaixador de Israel qualificou esta visita como “uma oportunidade para buscarmos novos modos de melhorar a relação de diálogo”.