Embaixador Evrony: 'em Israel estamos preparando as boas-vindas ao Papa'

Os atos de vandalismo não representam nem o sentimento da maioria das pessoas, nem a posição do Governo

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 340 visitas

"Há muito entusiasmo e expectativa em Israel. Todos os israelenses, muito além da sua filiação religiosa, estamos preparando as boas-vindas ao Papa Francisco e à sua delegação, com o coração aberto e muita cordialidade”, foi o que disse ontem, o embaixador de Israel junto à Santa Sé, Zion Evrony, em um café da manhã de trabalho com os embaixadores e jornalistas em Roma, no NH Giustiniani.

"Ele será recebido como um irmão do povo judeu, a sua visita será um evento importante", acrescentou. E considerou que "quando o papa Francisco chegar a Israel poderá ver a realização da profecia  bíblica de Isaías e Jeremias . Ele encontrará um país com mais de 8 milhões de pessoas, dos quais 1,5 milhões de muçulmanos e 157 mil cristãos”. Um país, disse ele, em que "os cristãos têm os mesmos direitos e com uma presença no parlamento de Israel e em todas as profissões. Eles têm a garantia da liberdade religiosa e do trabalho”.

Acrescentou que "Israel é o único país no Oriente Médio com uma população cristã em crescimento. Em 1948 era de 34.000 e hoje são 157.000. E isso em gritante contraste com as condições das comunidades cristãs em vários lugares do Oriente Médio, onde estão sob ataque constante, perseguidos e inseguros”, disse.

Sobre os atos de vandalismo contra lugares cristãos acontecidos recentemente em Israel, como frases pintadas em lugares de instituições católicas, considerou que “são atos de extremistas que não representam a política do Governo nem o sentimento da maioria de Israel".

Acrescentou que os mesmos “foram condenados pelos líderes políticos e religiosos. E as forças da ordem estão fazendo um esforço para encontrar os responsáveis, e acho que serão encontrados e punidos".

O embaixador também negou os boatos que corriam em Israel, segundo os quais Israel transferiria a soberania das tumbas de David e do Cenáculo ao Vaticano.

"O Papa Francisco caminhará - disse o embaixador Evony - pelos mesmos lugares onde, segundo a tradição cristã, Jesus e Maria andaram, e que, de acordo com a tradição judaica, reis e profetas viveram. Este é o lugar onde tudo começou".

E destacando o papel do Oriente Médio na história das religiões contou uma ideia engraçada: embora com Deus pode-se falar de qualquer lugar do mundo, em Israel a chamada é local”.

Além do mais fez uma reflexão histórica, desde quando se apresentou a São Pio X uma rejeitada proposta sobre a criação do Estado de Israel, na primeira viagem de Paulo VI que nunca mencionou a palavra Estado de Israel, e depois João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco. E como o documento conciliar Nostra Aetate marcou uma mudança fundamental.

"Muitas vezes penso no longo caminho que percorremos, cristãos e judeus nos últimos 2000 anos. Desde a rejeição e menosprezo, até mais de cem anos atrás, até o reconhecimento, diálogo e amizade agora".

E lembrou a amizade com que foi recebido pelo Papa Francisco quando apresentou as suas credenciais e o Santo Padre cumprimentou-o com a palavra "Shalom", e que, nessa ocasião, ele o convidou a viajar para Israel.

Recordou também que há 20 anos, a Santa Sé assinou um tratado estabelecendo relações diplomáticas e troca de embaixadores. E que já se avançou muito na realização de um tratado econômico e financeiro, que abordará assuntos como a dupla tributação.

Para o futuro considerou que as relações poderão melhorar ainda mais, com mais importantes políticas de diálogo em assuntos como as minorias no Oriente Médio, o aumento dos radicais islâmicos e o caso da Síria. Também com uma cooperação maior no combate ao anti-semitismo, com programas educacionais apoiados pelas comunidades judaica e católica, explicando a abordagem da Nosta Aetate, e a importância da existência do Estado de Israel na identidade judaica.

Lembrou também que o papa Francisco proferiu palavras fortes contra o anti-semitismo, como: "devido às nossas raízes comuns um cristão não pode ser anti- semita" e que é preciso educar as novas gerações do povo judeu nesta nova relação com a Igreja Católica.

(Trad.TS)