Empregada doméstica a caminho dos altares

Dora del Hoyo fazia parte do Opus Dei

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ROMA, quarta-feira, 20 de junho de 2012 (ZENIT.org) - Dom Javier Echevarria presidiu em Roma, nesta segunda-feira (18), o começo do processo canônico que estudará a vida e as virtudes de Dora del Hoyo. O ato foi celebrado na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma.

Salvadora (Dora) del Hoyo Alonso nasceu num povoado de Castela, na Espanha, em 1914. Depois dos estudos elementares, começou a trabalhar como empregada doméstica, tarefa que exerceu com profissionalismo e alegria até poucas semanas antes de falecer, em 10 de janeiro de 2004.

Em 1939 ela se mudou para Madri. Trabalhou em casa de diversas famílias até que, em 1944, começou a exercer a profissão na Moncloa, residência universitária onde conheceu São Josemaría Escrivá. Em março de 1946, pediu admissão no Opus Dei. Em dezembro daquele ano foi para Roma, onde trabalhou com pessoas do mundo todo.

Desde a sua morte até hoje, mais de trezentas pessoas, a maioria mulheres que exercem a mesma profissão, escreveram sobre o bem que o exemplo cristão de Dora significou nas suas vidas. Constam ainda por escrito numerosos favores atribuídos à sua intercessão.

A abertura desta causa de canonização, de acordo com um comunicado do Opus Dei, se deve a um fenômeno de devoção espontânea que nasce da fé viva do povo de Deus. A Igreja investigará a autenticidade e o fundamento dessa expressão.

Cumpridos os requisitos previstos pelas leis canônicas e verificada a solidez das provas da exemplaridade cristã de Dora, o prelado do Opus Dei, dom Javier Echevarría, decidiu começar a pesquisa processual sobre sua vida e virtudes, constituindo um tribunal.

Durante a cerimônia, o prelado declarou: “Estou cada vez mais convicto do papel fundamental que esta mulher teve e terá na vida da Igreja e da sociedade. O Senhor chamou Dora del Hoyo a se ocupar de tarefas semelhantes àquelas que foram cumpridas por Nossa Senhora na casa de Nazaré”.

“O exemplo cristão desta mulher, com a sua fidelidade à vida cristã, contribuirá para manter vivo o ideal do espírito de serviço e para difundir na nossa sociedade a importância da família, autêntica Igreja doméstica, que ela soube encarnar com o seu trabalho diário, generoso e alegre”.

O significado principal de toda causa de canonização é fazer o bem às pessoas e contribuir para o bem da Igreja. Esta causa permitirá entender melhor a figura de quem viveu a vida cotidiana fazendo dela um contínuo ato de oferecimento a Deus e de serviço alegre nas tarefas do lar.

Caminho aberto

Dora decidiu dedicar a vida a um trabalho que considerava fundamental não só para a família, mas para cada pessoa e para a sociedade inteira. Ela acreditava que o ideal de “um mundo feliz” devia começar pela criação de um lar sereno, caracterizado por um ambiente de harmonia e de bom humor.

Suas colegas testemunham o prestígio profissional de Dora. Ela não se contentava com o cumprimento dos deveres de lavar e cozinhar, mas empregava seus talentos a fundo: desde engomar camisas de jovens universitários à maneira dos anos 40, sem que ninguém pedisse, até preparar um prato especial sem recursos econômicos. Para ela, manter as frigideiras limpas ou servir a mesa eram oportunidades para praticar o amor. Dora queria encontrar a Deus na aparente pequenez, heroica, de oferecer a ele o trabalho bem feito, com carinho, um dia depois do outro, até o final da vida.

Os vários escritos sobre a vida de Dora destacam também o seu bom gosto e elegância. "Um estilo para mulheres que hoje veem no trabalho do lar uma verdadeira profissão. Uma ajuda do céu para enfrentar os mil afazeres diários da gestão e da atenção da casa e das pessoas".

Para informações, blog sobre Dora del Hoyo (em espanhol): http://doradelhoyo.wordpress.com/


(Trad.ZENIT)