Encíclica é «brilhante e monumental», diz arcebispo brasileiro

Porque oferece elementos essenciais, destaca Dom Walmor Oliveira de Azevedo

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Por Alexandre Ribeiro

 

BELO HORIZONTE, quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Segundo o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, a encíclica «Spe Salvi», recém-lançada por Bento XVI, é «brilhante e monumental».

O presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), explica essa adjetivação apontando que a carta do Papa «oferece elementos essenciais e indispensáveis para uma profunda radiografia do que está se passando em torno da esperança e da fé».

De acordo com o arcebispo – que fala aos fiéis em mensagem difundida pelo site de sua arquidiocese –, a encíclica incita e proporciona «uma auto-crítica da idade moderna bem como do Cristianismo, na vivência da sua fé. Uma auto-crítica da idade moderna em diálogo com o Cristianismo».

Dom Walmor explica que o Papa discute «a questão gravíssima do déficit de fé que se abate sobre a humanidade, corroendo culturas e esterilizando estruturas institucionais, mesmo aquelas eclesiais e eclesiásticas. Um déficit de fé que produz uma linguagem equivocada a respeito de muitos temas e de muitas questões fundamentais».

Para o arcebispo de Belo Horizonte, este déficit de fé «tem sido terrível». «Ele é a causa do desgoverno nos rumos da sociedade e na incapacidade ética de correções de condutas e de posturas comunitárias e sociais».

«Bem assim, é um veneno que vai tornando estéril a vivência da riqueza da fé cristã, lançando muitos nas valas do desânimo, da amargura, da reclamação e da desesperança», afirma.

Nesse sentido, destaca Dom Walmor, é «indispensável e insubstituível, portanto, como possibilidade de um novo passo, abordar, compreender e vivenciar a esperança».

«Sem uma esperança fidedigna não é possível enfrentar o caminho que é difícil e custoso», acredita.

Segundo explica o arcebispo, Bento XVI afirma que a fé é esperança. Assim, a esperança «tem uma referência fundamental e insubstituível. É Deus».

«É uma pessoa que é verdade e amor. A experiência do encontro com Ele é a fonte da esperança fidedigna. Assim, um mundo sem Deus é um mundo sem esperança. É um mundo que põe sua esperança meramente no progresso ou nas leis da matéria como governo único do mundo. Ora, sem Deus, o mundo é obscuro, tenebroso.»

Dom Walmor comenta então que o cristão tem um futuro. «Por isso, a mensagem cristã é performativa, e não simplesmente informativa. Quem tem esperança vive de modo diferente».

«O cristianismo não trouxe uma mensagem sócio-revolucionária. Trouxe o mais importante, com força de mudanças radicais e com propriedades para capacitações singulares, ao propor o encontro com uma pessoa, transformando a vida por dentro», recorda o arcebispo.

Segundo Dom Walmor Oliveira, Bento XVI «indica o caminho para se compreender a verdadeira fisionomia da esperança cristã, sedimentada no amor que redime, de verdade».