Encíclica é «novo alento», diz episcopado do Brasil

Para humanidade tão necessitada da «grande esperança», comenta CNBB

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Por Alexandre Ribeiro

 

BRASÍLIA, sexta-feira, 30 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- O episcopado brasileiro acredita que a encíclica Spe Salvi (Salvos na esperança), lançada esta sexta-feira por Bento XVI, será um «novo alento» para uma humanidade tão necessitada da «grande esperança».

Em nota, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) recorda que o Santo Padre, por meio de sua nova carta, «vem chamar nossa atenção para a esperança cristã, razão que não falha».

Segundo comenta o organismo episcopal, Spe Salvi responde, basicamente, a duas perguntas.

Em primeiro lugar, «em que consiste esta esperança que é redenção e o que podemos esperar?»

«Nesse sentido, o Santo Padre lembra, em primeiro lugar, que a fé, adquirida no Batismo, é o fundamento da esperança. Ela “confere uma nova base, um novo fundamento, sobre o qual o homem pode se apoiar e, conseqüentemente, o fundamento habitual, ou seja, a riqueza material, relativiza-se”», cita o texto.

Já em segundo lugar, de acordo com a nota assinada por Dom Geraldo Lyrio, presidente da CNBB, Dom Luiz Soares, vice-presidente, e Dom Dimas Lara, secretário-geral, «a encíclica recorda-nos que o objeto principal de nossa esperança é a vida eterna, um desejo que nasce da fé».

«Diante das muitas esperanças sobre as quais construímos nossa vida, é preciso perceber que só Deus é a “grande esperança” e que “o homem tem necessidade de Deus; do contrário, fica privado de esperança”», referem os prelados.

A CNBB recorda ainda que o Papa, «de maneira clara e objetiva», «alude à crise de esperança pela qual o mundo passa, relacionando-a à crise de fé».

«Mais uma vez, ele esclarece que quando se exclui Deus, a vida se esvazia de sentido e a esperança se torna “perversa”.»

«Tende-se, então, a buscar a redenção na ciência, no progresso, na economia, na política. Tudo isso, porém, diz Bento XVI, deixa um vazio incapaz de dar sentido e satisfazer a esperança humana que só é plenamente satisfeita por um Amor Absoluto», comenta a presidência da CNBB.

Em Spe Salvi — prossegue a nota —, «o Papa insiste que a esperança cristã não está situada num além imaginário, mas já se faz presente em nós quando o amor de Deus nos alcança e nos torna capazes de amar, abrindo-nos ao outro».

«“Não é a ciência que redime o homem. O homem é redimido pelo amor”, mas “um amor incondicionado”. E é exatamente isso que nos faz ter esperança frente a um mundo tão marcado pelo egoísmo, pelas injustiças e por toda sorte de sofrimento», comentam os bispos.

A CNBB destaca ainda que também é salutar a palavra do Santo Padre «ao apontar a oração, o agir, o sofrimento e o juízo como lugares de aprendizagem e de exercício da esperança, dando nova dimensão a essas realidades tão presentes em nossa vida».

O episcopado brasileiro afirma acolher «com alegria» estes ensinamentos do Santo Padre. Acredita que a encíclica será «um novo alento para nosso povo, para nossas comunidades e para a toda a humanidade tão necessitada da “grande esperança” que dá sentido à vida e força para vencer as dificuldades do dia a dia».

«Queremos ser, cada vez mais, pessoas de esperança», afirma a CNBB.