Encíclica é um presente para mundo pós-moderno, diz bispo

Dom Filippo Santoro comenta «Spe Salvi», lançada sexta-feira passada pelo Papa

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Por Alexandre Ribeiro

PETRÓPOLIS, terça-feira, 4 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- A segunda encíclica do Papa Bento XVI, «Spe Salvi», sobre a esperança, «é um presente para o nosso mundo pós-moderno, muitas vezes decepcionado e desejoso de uma esperança verdadeira», afirma Dom Filippo Santoro.

Reconhecido teólogo, o bispo de Petrópolis (Brasil), escreveu uma mensagem aos fiéis, difundida pelo site da arquidiocese do Rio de Janeiro, em que comenta a carta do Papa.

Membro da Comissão Episcopal Pastoral para Doutrina da Fé da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Filippo explica que «a esperança cristã não é um vago sentimento subjetivo de abertura ao futuro, nem uma pura atitude interior ou uma genérica expectativa de algo melhor agora totalmente ausente».

Na esperança cristã - afirma -, «o presente já é tocado pelo futuro e, por isso, é possível esperar».

«Nós todos, escreve o Papa citando Santo Agostinho, desejamos a vida no seu sentido pleno, que ela não seja ameaçada pela morte. Mas uma vida assim é por nós desconhecida.»

«Por meio de Cristo brota para os homens uma esperança que não é apenas algo desejado que se coloca no futuro, mas uma realidade presente, uma verdadeira presença», afirma.

O bispo de Petrópolis comenta que, «nos tempos modernos, a partir da reflexão de Francis Bacon, o paraíso perdido, a realização plena da nossa esperança, não vem mais da fé em Cristo, mas sim da ligação entre ciência e prática».

«Isso não implicou, logo no início, na eliminação da esperança cristã, mas na sua irrelevância, porque a deslocou para a esfera das coisas privadas e ultraterrestres. A esperança nasceria da ciência e da prática que constroem o reino do homem.»

«Aqui - destaca Dom Filippo -, Bento XVI traça com habilidade de mestre um perfil muito preciso da cultura moderna e contemporânea, observando o tema da esperança nas várias formas secularizadas, particularmente em Kant, mas também em Engels e Marx, até chegar à Escola de Frankfurt.»

«Depois deste percurso, Bento XVI destaca o fato que a ciência pode contribuir para humanizar a sociedade, mas pode também destruí-la se não for orientada por forças que estão fora dela - pela consciência e pelo amor.»

Porém - prossegue o bispo -, «"o homem é redimido pelo amor, mas o amor pode ser destruído pela morte". Por isso, o ser humano precisa de um amor incondicionado. É necessária uma esperança que resista às desilusões e, mesmo quando as esperanças se realizam, percebe-se que o que alcançamos não é a totalidade. Necessitamos de uma esperança que vai além».

«Da esperança bíblica passou-se à esperança do reino do homem e agora está diante dos olhos de todos, por causa das guerras, violências urbanas, injustiças, tédio, vazio e drogas, o déficit de esperança que vive o nosso mundo.»

«Precisamos de esperanças e, sobretudo, da grande esperança que nos faz caminhar», comenta.

«"Deus é o fundamento da esperança - não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim: cada indivíduo e a humanidade no seu conjunto"», cita.

«O Paraíso, ponto final da história, já se tornou o presente na pessoa de Cristo e começa a ser experimentado no encontro com Ele», destaca Dom Filippo.