Encíclica inaugura hora nova de profecias, diz arcebispo

Comentário de Dom Walmor de Azevedo sobre “Caritas in veritate”

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 10 de julho de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, considera que a encíclica Caritas in veritate “inaugura a hora nova de profecias para dar ao desenvolvimento, na sociedade contemporânea, um novo substrato”.

Segundo o arcebispo, esse substrato, “que é novo e deve permear os entendimentos, supõe dos cristãos a consciência do amor cheio de verdade que é dado. Vem de Deus”.

Em artigo enviado a Zenit hoje, Dom Walmor assinala que a encíclica ecoa no coração missionário da Igreja “como convocação que recoloca a exigência da profecia por meio de um anúncio que tenha sua fonte inesgotável, antes de tudo, no amor”.

“Esta convicção que fundamenta a fé dos que crêem em Cristo Jesus, fonte inesgotável do amor de Deus, é uma lição que precisa ser proclamada e, sobretudo, testemunhada.”

O arcebispo explica que “o ponto central de iluminação” do texto do Papa “é que sem Deus ‘o homem não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja’”.

“É evidente, diz o Papa Bento XVI, retomando afirmações lúcidas do Papa Paulo VI na sua Carta Encíclica Populoroum progressio, de 1967, o homem não é capaz de gerir sozinho o próprio progresso, porque não pode por si mesmo fundar um verdadeiro humanismo’.”

Dom Walmor afirma que nesse cenário o cristianismo tem uma tarefa “irrenunciável e insubstituível” enquanto construído sobre os pilares da verdade e da caridade.

“É incontestável a convicção de que o exercício de abertura para Deus é, consequentemente, abertura para os irmãos e irmãs e a vida é entendida como tarefa solidária e jubilosa”, comenta.

Nessa direção –prossegue o arcebispo–, “o Papa Bento XVI afirma, convictamente, que ‘a reclusão ideológica a Deus e o ateísmo da indiferença, que esquecem o Criador e correm o risco de esquecer também os valores humanos, contam-se hoje entre os maiores obstáculos ao desenvolvimento’”.

“O risco, pois, da exclusão de Deus, no entendimento do desenvolvimento nas sociedades contemporâneas, comprova a incapacidade dos avanços previstos para a superação de questões como a fome, a exclusão social e outras urgências que estão mantendo, injustamente, homens e mulheres em situações, não só desumanas, mas vergonhosas quando se tem presente as medidas das conquistas científicas e tecnológicas.”

É “necessário e urgente” –comenta o arcebispo– “iluminar com o sentido da caridade na verdade o entendimento do desenvolvimento”.

É fato que “o atual contexto social e cultural, pelas tendências habituais de relativização da verdade, precisa viver a ‘caridade na verdade’ para levar a compreender que ‘a adesão aos valores do cristianismo é um elemento útil e indispensável para a construção de uma boa sociedade e de um verdadeiro desenvolvimento humano integral’”.

O arcebispo assinala então “a importância determinante de se reportar e ter clarezas acerca da verdade central da fé Cristã, Deus é amor”.

“É de Deus Amor que tudo provém, toma forma e tem a direção segura. Essa fonte inesgotável de amor, Deus, é a substância da caridade, fermentando e fecundando as relações todas e os entendimentos, possibilitando uma nova qualidade aos relacionamentos sociais, econômicos e políticos. Só é possível alcançar o mais genuíno e rico do amor pela busca da verdade.”

“O Papa Bento XVI afirma que ‘só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida... sem a verdade a caridade cai no sentimentalismo... a verdade liberta a caridade dos estrangulamentos do emotivismo’”, cita o arcebispo.