Encontro do arcebispo de Malta com vítimas de abusos sexuais

Poderiam ter um encontro com o Papa em sua visita ao país

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Por Serena Sartini

ROMA, sexta-feira, 16 de abril de 2010 (ZENIT.org).- O arcebispo de Malta, Dom Paolo Cremona, teve um encontro nessa terça-feira com um grupo de vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos nos anos 80. Não se descarta a hipótese, ainda que pareça difícil, que eles se encontrem com o Papa, em sua visita neste fim de semana.

Segundo comunicou a ZENIT o porta-voz da Cúria de Valletta, Kevin Papagiorcopulo, o arcebispo se encontrou em particular com um pequeno grupo de vítimas. O encontro aconteceu na sede do arcebispado, em Attard, e durou cerca de duas horas. O encontro foi de caráter privado e reservado, tal como pediram as vítimas.

Pelo que se sabe, o grupo de vítimas havia apresentado uma carta ao arcebispo pedindo um encontro particular com o Papa Bento XVI, durante sua visita a Malta no próximo sábado e domingo.

Nessa terça-feira, o porta-voz do vaticano, padre Federico Lombardi, disse que não poderia descartar a hipótese de um encontro do Papa com algumas vítimas de abusos sexuais em Malta. Ele explicou que, se acontecesse, transcorreria “em um clima de recolhimento e reflexão, e não diante da pressão da mídia”.

Segundo informou TimesofMalta.com, o arcebispo Paolo Cremona, falando sobre um programa televisivo, disse que as vítimas fizeram bem em contar aos meios de comunicação o que lhes aconteceu.

Contudo, o prelado expressou seu lamento pela campanha em detrimento da Igreja realizada por alguns órgãos de informação internacionais, que têm negligenciado a contribuição positiva para a sociedade da maioria dos sacerdotes.

Os meios de comunicação, acrescentou, ao invés de “informar” as pessoas, têm tratado de “formar” as pessoas contra a Igreja.

Dom Cremona afirmou que é importante fazer justiça, sem esquecer as vítimas, e que há necessidade de criar um sistema de prevenção.

Dessa forma, o prelado afirmou que a Igreja de Malta, desde 1999, para tratar o caso de abusos de menores, é confiada a duas equipes de peritos, guiados por juízes aposentados e independentes da Igreja, e que todos os casos são sempre remetidos a Roma.