Encontro entre papa e patriarca de Moscou parece mais próximo

Estudioso italiano há 30 anos na Rússia, Giovanni Guaita conversa com a AIS

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ROMA, terça-feira, 18 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - "Uma eventualidade que nunca foi descartada no passado e que hoje parece mais próxima": o tão esperado encontro entre Bento XVI e o patriarca Kirill pode não estar muito longe, desde que alguns problemas sejam resolvidos.

É o que declara à fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) o estudioso italiano Giovanni Guaita, há quase 30 anos na Rússia, colaborador do Secretariado para as Relações Entre Cristãos, do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou.

O hieromonge, título dado aos monges das igrejas orientais que foram ordenados sacerdotes, conversou com a fundação pontifícia em Moscou, no mosteiro de São Daniel, centro espiritual e administrativo da Igreja ortodoxa, que abriga o departamento presidido pelo metropolita Hilarion.

"O desejo é que o encontro seja um momento de mudança real nas relações entre as duas igrejas, sem se limitar a um aperto de mão na frente dos fotógrafos".

Antes, no entanto, é necessário desatar alguns nós. Não tanto na Rússia, mas em outros países, como a Ucrânia. O desejo de concretizar um encontro face a face entre os chefes das duas Igrejas, de qualquer forma, permanece vivo, e, ironia do acaso, foi discutido em 2005 pelo recém-eleito papa Ratzinger e pelo então "simples" metropolita Kirill.

As relações entre Moscou e a Santa Sé também foram discutidas em julho passado, durante a visita do primeiro-ministro italiano Mario Monti à Rússia. Monti quebrou o protocolo ao encontrar-se com o patriarca ortodoxo ainda antes de encontrar-se com o presidente Medvedev, devido a um conflito imprevisto de agendas.

O hieromonge esteve presente na conversa, que tratou da atual crise econômica, profundamente sentida pelo patriarcado. "A Rússia enfrenta hoje problemas sociais que nunca teve no passado, como a enorme disparidade econômica entre as diversas camadas da população. E a Igreja ortodoxa é cada vez mais ativa nesta área", diz ele.

Outro fenômeno relativamente recente é o da imigração. O que nos tempos soviéticos era simples movimentação interna já se transformou em fluxos migratórios, com consequentes problemas de recepção e integração. "Em Moscou, as comunidades de imigrantes, tanto oficiais quanto ilegais, já são bastante volumosas e vêm principalmente de ex-repúblicas soviéticas de maioria muçulmana. Por isso, foi necessário promover também o diálogo inter-religioso".

O patriarcado ortodoxo russo está fortemente comprometido em dar apoio aos cristãos perseguidos em todo o mundo e em combater a “cristianofobia presente na Europa Ocidental e em lugares onde os fiéis não são diretamente perseguidos, mas socialmente marginalizados, numa tentativa de reduzir a religião a mero assunto particular".

O religioso ortodoxo agradeceu pela ajuda da AIS, considerando-a "uma das primeiras organizações católicas a estabelecer relações tão cordiais com o patriarcado de Moscou".

Imediatamente após o colapso da União Soviética, a tensão entre as duas igrejas era grande, tanto na Rússia quanto em outros países da ex-URSS. A fundação pontifícia, no entanto, sempre apoiou "uma quantidade surpreendente" de projetos da Igreja ortodoxa, em Moscou e em outras regiões da federação. "É em grande parte graças à ajuda da AIS que a relação com o Vaticano é boa. Hoje o patriarcado também conta com a ajuda de outras realidades católicas, mas a Ajuda à Igreja que Sofre faz isso desde sempre”

(Trad.ZENIT)