Encontro sabor Família

Novo Pentecostes na capital mexicana

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Por Gilberto Hernández García

CIDADE DO MÉXICO, sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- São 8h15 da manhã na Cidade do México. O sol quer aparecer para saudar a mais populosa metrópole latino-americana, mas as nuvens o impedem. Uma leve chuva se deixa sentir na região de Santa Fé, ao oeste da capital mexicana, que contribui para que a temperatura caia para 6º.

O clima é frio, mas não no interior da sede do Congresso Teológico Pastoral do VI Encontro Mundial das Famílias (EFM). Aqui dentro o calor não tem a ver com os termômetros. O calor do encontro fraterno vence qualquer temperatura baixa. 

Pouco a pouco as instalações vão se enchendo. Não há um sino que indica a hora da missa, mas os congressistas sabem que têm um encontro às 8h30 com Deus, Pai amoroso, na Eucaristia, na mesa onde todos têm lugar e ninguém se sente estranho nem estrangeiro. 

Ao caminhar pelo grande corredor do centro de exposições Santa Fé e ao andar pelos salões, é possível observar rostos brancos, negros, amarelos, diferentes; contudo, há algo em comum: o sorriso nos lábios. 

Neste lugar se encontram cerca de 10 mil pessoas, segundo dados atualizados pelos organizadores, provenientes de 98 países. Seria fácil intuir que esta diversidade converteria o Encontro em uma pequena Babel, mas é um novo Pentecostes, pois o Espírito Santo suscita formas de entendimento: gestos amáveis, sorrisos, sinais simpáticos, intentos de expressão em um idioma que pouco se conhece e torna engraçado o «diálogo». 

Contudo, todos os que se encontram no lugar sentem de maneira viva sua pertença à Igreja, e a oportunidade do encontro com outras culturas ajuda a perceber a catolicidade da Igreja: «Agora entendo o que significa ser católico», diz Laura, uma mulher equatoriana, levantando a voz para fazer-se ouvir em meio à correria que reina no longo corredor do edifício. 

«Por que estou aqui? Porque amo minha família, porque a família vale a pena», diz Adilson, um jovem brasileiro, em um raro «portunhol», quando questionado acerca de sua presença no EMF. 

Ao avançar pelo edifício, é possível ver os grupos nacionais, alguns com seus trajes típicos, o que imprime um belo toque autóctone ao encontro. Os cantos populares se deixam ouvir e pouco a pouco se vão formando coros ao redor dos artistas emergentes. 

Os seminaristas, as religiosas – de todas as cores e carismas – perambulam pelo lugar testemunhando sua vocação – nascida no seio de uma família – com sua simples presença, inquietando os jovens que foram à reunião «para ver o que pescavam» e talvez aqui «sejam pescados». 

Mais adiante, uma delegação de cubanos atrai a atenção de muitos assistentes. «Foto, foto!», pedem alguns. E os irmãos cubanos, como se já tivessem ensaiado, posicionam-se para atender ao pedido. Mais que simpatia, os irmãos da ilha recebem demonstrações de solidariedade. «Ânimo, irmãos, Cristo é o caminho», escuta-se de repente. 

Talvez tudo se reduzisse a uma manifestação pública de apoio aos cubanos, se não fosse uma voz dizendo: «Aí vem Nossa Senhora de Guadalupe!». Tanto nos corredores como no salão de plenárias – onde os moderadores do dia dão indicações para a recepção da imagem da Guadalupana – os congressistas irrompem em aplausos e vivas. Espontaneamente, brota o universal canto: «Desde el cielo, una hermosa mañana...», e tudo se converte em loucura: loucos de amor, loucos por Cristo, loucos pela Moreninha do Tepeyac, claro. 

E esse é o clima que impera em todo momento. Começam as conferências e os participantes fazem silêncio e procuram imitar a Santíssima Virgem, guardando no coração tudo o que escutam, para depois compartilhá-lo como «discípulos e missionários». 

Passam as horas e o ânimo não decai. Chegam os intervalos organizados, a refeição, o momento de passear pela Expo Família, a oportunidade de compartilhar tudo com outras famílias na hora das refeições. 

Hoje, como ontem ou como no terceiro dia do congresso, as atividades terminarão, as vozes irão se apagando, os salões ficarão vazios, as luzes deixarão seu lugar à escuridão, mas nos corações de cada um dos assistentes a presença dos irmãos, que também é de Deus, permanecerá viva; o ideal da família, motivo de reunião, será motor para voltar à vida cotidiana. Depois de tudo, o Encontro fez todos sentirem que somos família, família de Deus.