Enfermidade e descoberta do sentido da vida
A eutanásia e o valor da vida enferma, no Meeting de Rímini
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Por Antonio Gaspari
RÍMINI, quinta-feira, 28 de agosto de 2008 (ZENIT.org).- Ela já havia escrito um testamento, mas, efetivamente, ao descobrir que estava enferma de câncer, mudou de opinião.
É a história de Silvie Menard, francesa, casada com um italiano, oncologista, consultora do Centro de Oncologia experimental do Instituto Nacional de Tumores de Milão, Itália, e especializada no estudo do câncer e dos novos fármacos para combatê-lo.
Ela contou sua experiência no curso do encontro «Medir o desejo infinito? A qualidade de vida», que aconteceu no Meeting de Rímini em 26 de agosto.
Menard trabalhou durante anos entre enfermos graves, hospitalizações e tumores. Um dia, descobriu que quem estava enfermo não era um paciente seu, mas ela. O diagnóstico foi inclemente: um tumor na medula óssea.
«Desde então, minha vida assumiu um significado diferente --relatou a oncologista. Desde que estou enferma, tenho vontade de viver cada instante de minha vida, justo porque me dou conta de que é única».
Menard relatou que ao princípio tinha dúvidas de seguir um tratamento ou não, exatamente a dúvida que assalta cada paciente.
Sabia que era muito difícil ser curada, mas «incurável é diferente de intratável», precisou.
A doutora se submeteu a tratamentos muito tóxicos, que durante algum tempo lhe causaram grandes dificuldades. Contudo, comentou, «inclusive fazendo o transplante de coração em um enfermo, corre-se o risco de matá-lo».
Com respeito às propostas de eutanásia, no curso da entrevista coletiva pela manhã, Menard precisou que «muitos na Itália estão a favor da eutanásia para os outros e não pensam no fim da própria vida».
«Eu posso dizer --acrescentou-- que quando se está sadio, não se sabe como reagir em caso de enfermidade».
Menard se manifestou portanto «contrária à eutanásia, porque o direito à morte naquele caso corre o risco de converter-se em um dever».
No curso do encontro, Giancarlo Cesana, professor de Higiene Geral Aplicada na Universidade de Milão, explicou que «a vida é um mistério, a sentimos, a percebemos mas não a criamos, porque é algo infinito e portanto não mensurável».
Durante a coletiva de imprensa matutina, Cesana respondeu a uma pergunta sobre o caso de Eluana Englaro (uma mulher italiana que está em coma desde 1992) precisando que «o pai de Eluana não quer a eutanásia de sua filha por motivos econômicos, mas porque já a considera morta».
«O verdadeiro risco --acrescentou o professor--, é que se corre o perigo de impedir a caridade, o que significa o fim da medicina».
Cesana concluiu afirmando que «a medicina nasceu na Idade Média para fazer o que se dava na época clássica: curar. Em Nápoles existia o hospital dos incuráveis, porque a medicina nasceu para curar. Se for impedida disso, a medicina está acabada».


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