"Enquanto houver um só cristão na Líbia, eu não irei embora"

O vigário apostólico de Trípoli promete a sua presença no país para ajudar a comunidade cristã

Roma, (Zenit.org) Redacao | 457 visitas

O vigário apostólico de Trípoli garantiu a sua fidelidade aos cristãos do país, em uma Líbia ainda assolada pela violência e pela instabilidade. "A comunidade cristã na Líbia já está reduzida ao seu mínimo, mas eu pretendo ficar aqui, mesmo que só reste um único cristão", declarou dom Giovanni Innocenzo Martinelli à agência Fides.

“Na região da Cirenaica”, explica o vigário, “não há mais freiras. Também já está indo embora da região a maior parte dos filipinos, que são o coração da comunidade cristã na Líbia. Em Trípoli, ainda existe uma boa presença de filipinos, mas daqui também já existem muitos que estão indo embora”.

A situação é desalentadora. Prossegue dom Martinelli: “A Igreja tem relação com esta presença de leigos que trabalham no setor sanitário, e, vista a situação, este é mesmo um momento de provação bem forte. Eu não sei até onde nós vamos chegar, mas tenho a confiança de que um grupo de pessoas vai ficar aqui a serviço da Igreja".

Apesar de que, "no momento, os combates pararam", a situação permanece "precária" e faz com que seja um mistério "a fisionomia que o país assumirá no futuro". Dom Martinelli afirma que o aeroporto ainda está fechado e que "as pessoas que vão embora estão partindo de barco".

Mesmo assim, não falta a esperança nas palavras do vigário apostólico de Trípoli. "Eu ainda tenho confiança no futuro da Líbia, mas estamos nas mãos de Deus". Por isso, dom Martinelli promete: "Enquanto houver aqui um único cristão, eu ficarei para ajudar. Mesmo que o serviço religioso tenha se reduzido ao mínimo, eu não posso abandonar os poucos cristãos que ainda estão aqui". Finalmente, ele pede orações, porque "só a oração pode resolver situações difíceis como a da Líbia de hoje".

O país vive afundado numa espiral de violência contínua desde a revolta de 2011, que derrubou o líder Muammar Gaddafi. Um dos cenários dos enfrentamentos é justamente o aeroporto, que se localiza a poucos quilômetros do centro da capital. No último dia 13 de julho, a milícia de Zintan, que detém o controle do aeroporto desde a queda do regime, se enfrentou com uma série de grupos rebeldes, vinculados, conforme as primeiras informações disponíveis, com os movimentos jihadistas. Na ocasião, morreram pelo menos 6 pessoas e outras 25 ficaram feridas. Também neste domingo, informa a agência Reuters, mais de 20 pessoas morreram nas batalhas entre as facções armadas que tentam controlar o aeroporto. Os enfretamentos, além disso, provocaram um grande incêndio no maior depósito de combustível da cidade.