"Enquanto os políticos debatem, os cristãos iraquianos continuam sofrendo e morrendo"

O patriarca caldeu faz um novo apelo à comunidade internacional

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 506 visitas

"Visitei os campos de refugiados nas províncias [iraquianas] de Erbil e Dohok e o que vi e o que ouvi por lá vai além de qualquer imaginação febril!", declarou o patriarca caldeu Louis Raphael I Sako em comunicado enviado à agência AsiaNews. Ele faz um novo chamamento à comunidade internacional e ao mundo muçulmano, "que ainda não compreenderam a gravidade da situação".

O patriarca destaca que os cristãos iraquianos e outras minorias no país sofreram "um golpe terrível" no "coração da sua vida", privados de todo direito, da propriedade e até dos documentos. Sako adverte que, "diante de uma campanha que pretende eliminar os cristãos e as outras minorias do Iraque, o mundo ainda não entendeu a gravidade da situação". Esta é, para ele, "a segunda fase da catástrofe", ou seja, depois da invasão dos extremistas, "a migração destas famílias" para muitas partes do mundo, causando "a dissolução da história, do patrimônio e da identidade deste povo".

Sako explica, no comunicado, que o fenômeno da migração tem "grande impacto" tanto sobre os cristãos quanto sobre os próprios muçulmanos, porque o "Iraque está perdendo um componente insubstituível" da sua sociedade. Ele afirma também que a comunidade internacional, encabeçada pelos Estados Unidos e pela União Europeia, "embora reconheça a necessidade de uma solução rápida, não tomou medidas concretas para aliviar a tragédia da população afetada".

"O fundamentalismo religioso vem crescendo em força e ​​poder", observa o patriarca caldeu. Por isso, é necessário promover no Iraque uma cultura de encontro e de respeito, que considere "todos os cidadãos iguais em direitos".

Sako pede ação concreta em âmbito internacional para salvar os cristãos e os yazidis, "peças originais" da sociedade iraquiana em perigo de desaparecer devido aos acontecimentos "terríveis e horríveis". O silêncio e a passividade, alerta ele, "darão força aos fundamentalistas do Estado Islâmico para provocar novas tragédias".

Ao encerrar, o patriarca dos caldeus lançou uma advertência à Igreja em todo o mundo: diante do testemunho de fé firme dos cristãos iraquianos, de nada servem meras "declarações contínuas", porque o necessário é “a verdadeira comunhão que experimentamos com a visita do enviado pessoal do papa Francisco [o cardeal Fernando Filoni] e dos patriarcas”.

Dom Louis Raphael I Sako reconhece que "respeitamos as razões dos que querem emigrar, mas, para quem deseja permanecer, queremos recordar as raízes plantadas nesta terra e a nossa longa história. Deus tem o seu plano para a nossa presença neste mundo e nos convida a transmitir a mensagem do amor, da fraternidade, da dignidade e da convivência harmônica".