Entre duas margens: de Barack Obama ao papa Francisco

Novo livro de Rafael Navarro-Vals analisa os poderes do papa e do presidente dos EUA

Roma, (Zenit.org) Redacao | 332 visitas

“O depositário da maior autoridade moral da Terra, o papa, e o titular do máximo poder político, o presidente norte-americano, carregam um peso tão intenso que o simples fato de contemplá-los em ação é um espetáculo extraordinariamente atraente”, afirma nosso colaborador Rafael Navarro-Valls, catedrático e acadêmico, que acaba de publicar um interessante libro em que analisa os dois poderes mais significativos da Terra: o político e o espiritual.

As figuras dos inquilinos da Casa Branca e do Vaticano são o foco do seu novo livro: “Entre dos orillas. De Barack Obama al Papa Francisco” (em tradução literal, “Entre duas margens: de Barack Obama ao papa Francisco”. O livro ainda não foi traduzido ao português. A edição em espanhol é publicada pela Ediciones Internacionales Universitarias, Madri, 2014).

ZENIT conversou com o professor Navarro-Valls.

ZENIT: O que levou você a fazer essa dupla análise?

Rafael Navarro-Valls: Este livro faz parte de uma linha de trabalho que eu comecei há dez anos (“Del Poder y de la Gloria”,  Ed. Encontro, Madri, 2004), continuei em 2009 (“Entre la Casa Blanca y el Vaticano”, Ed. EIUNSA) e termino, por enquanto, com este novo livro. Olhar para o poder em ação, exercido com a maior intensidade, sempre me fascinou. O depositário da maior autoridade moral da Terra, o papa, e o titular do máximo poder político, o presidente norte-americano, carregam um peso tão intenso que o simples fato de contemplá-los em ação é um espetáculo extraordinariamente atraente.

ZENIT: Em seus livros anteriores, você estudou os presidentes Clinton e Bush e os pontífices João Paulo II e Bento XVI. Neste novo, você analisa principalmente Obama e Francisco. O que eles dois têm em comum?

Rafael Navarro-Valls: De certo modo, os dois líderes surgiram de repente nas suas respectivas galáxias. Obama era praticamente um desconhecido quando entrou nas primárias de 2008. Contra todos os prognósticos, ele superou Hillary Clinton na corrida para o Salão Oval da Casa Branca. Quando o conclave se reuniu em 12 de março de 2013, o nome do cardeal Bergoglio ainda era uma exceção nas apostas dos vaticanistas do mundo inteiro. Quando ele apareceu no balcão papal, no dia 13 de março de 2013, os sorrisos dos cardeais que acompanhavam Francisco nas suas primeiras palavras não manifestavam só a legítima satisfação pela rapidez com que o Espírito Santo tinha realizado através deles a eleição de um novo papa. O sorriso também descrevia certa curiosidade para ver as caras de surpresa dos 5.500 jornalistas credenciados em Roma. Passado um ano, Obama insistiu em se encontrar com Francisco. Foi um diálogo curioso, em que Obama escutava (“Eu vim para isso”, dizia ele) e Francisco falava. Também analiso esse encontro no livro.

ZENIT: De que modo podemos falar hoje de uma liderança mundial do papa e do presidente dos EUA?

Rafael Navarro-Valls: Durante o ano de 2013 e até esta altura de 2014, o presidente Obama e o papa Francisco são os reis de algo que um estudo publicado em Genebra chama de "Twiplomacia", uma ferramenta que permite que os líderes mundiais divulguem a sua mensagem para uma audiência cada vez maior. Segundo o estudo Twiplomacy 2013, da empresa Burson-Marsteller, o presidente norte-americano é o líder indiscutível no Twitter, onde a sua conta particular (@BarackObama), com mais de 33 milhões de seguidores, é a mais acompanhada do mundo. O perfil @Pontifex, com nove contas em diversos idiomas, se tornou o segundo mais acompanhado, com cerca de dez milhões de seguidores. Mas, indo além das redes sociais, o papa Francisco foi, globalmente, o "termo" mais procurado no Google. Entre março e novembro de 2013, de acordo com um estudo apresentado em Roma pela Aleteia, o total das menções ao papa superou as menções a Obama. Então, não deve nos surpreender que os dois líderes, depositários do poder máximo no âmbito político e no âmbito espiritual, respectivamente, tendam a ser estudados de modo paralelo. É o que eu tento fazer no conjunto de trabalhos reunidos deste livro, que abrangem os anos de 2010 a 2014.