Entrevista com o cardeal Simonis: Os movimentos são um dom de Deus

Holanda: com o papa Francisco, diminuiu o número de fieis que abandonam a Igreja

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 392 visitas

O Meeting de Rímini para a Amizade entre os Povos terminou no sábado passado. Esteve presente o cardeal Adrianus Johannes Simonis, arcebispo emérito de Utrecht, na Holanda. É a 24ª vez que ele participa do encontro.

Simonis disse a ZENIT que considera os movimentos como uma graça de Deus para o nosso tempo e que o Meeting de Rímini oferece “nutrição cultural” aos milhares de jovens envolvidos. Lamentou a situação da fé na Holanda, mas observou que, com a chegada do papa Francisco, “estancou a hemorragia de pessoas que deixavam a Igreja católica”.

O Meeting é realizado nos amplos pavilhões da feira da cidade italiana de Rímini, com stands, mostras, conferências, debates e atividades lúdicas e esportivas. É organizado pelo movimento Comunhão e Libertação e promove a cultura do encontro com diversas realidades da Igreja. Todo ano, mais de um milhão de pessoas passam pelo evento.

Eminência, qual é o seu balanço sobre o Meeting de Rímini para a Amizade entre os Povos?

Card. Simonis: Eu venho há 24 anos. Há bispos que não se identificam com os movimentos, mas estes são uma bênção para a Igreja e para cada país. Em particular a Comunhão e Libertação, porque eles têm como ponto central a encarnação de Deus em Cristo. Deus quer se encarnar também em nós, e também na vida pública, na vida política e na vida cultural.

E para os jovens?

Card. Simonis: Este Meeting tem muito da cultura italiana e tem nutrição para a cultura dos jovens. Você viu que são tantos e tantos os jovens que vêm. Eles são idealistas, nutridos por um verdadeiro idealismo, e isso é uma bênção.

O senhor falou dos movimentos. O último sínodo sobre a nova evangelização também os aborda.

Card. Simonis: Porque eles são uma graça de Deus para este tempo depois do concílio. Comunhão e Libertação, Focolares, Neocatecumenais, enfim, todos os outros.

Qual é a situação da fé na Holanda?

Eu vejo que o interesse das pessoas foi caindo. Agora a situação da fé na Holanda é muito triste, muitos abandonaram a fé. Dizem que há fé, mas eu não vejo muito. Espero e rezo pelo nosso país, para que ele refloresça. Eu vivo na comunidade dos Focolares, vejo que eles tentam buscar jovens e não conseguem. Eles estão muito ocupados com a escola, os clubes, a internet, e muitas vezes estão tão longe da Igreja e da fé que se perguntam “do que você está falando?”. Indiferença, materialismo, hedonismo... É uma sociedade pagã, é muito triste.

O papa Francisco pode mudar a situação?

Card. Simonis: Eu espero que este papa consiga fazer muito pela credibilidade da fé e da Igreja. Por nós também ele está sendo recebido com alegria. Ouvi um pároco dizer que, desde que chegou o papa Francisco, estancou a hemorragia de gente que abandonava a Igreja.