Episcopado chileno convida a abordar temas de fundo em conflitos trabalhistas

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SANTIAGO, quinta-feira, 19 de julho de 2007 (ZENIT.org).- A Conferência Episcopal do Chile manifestou a necessidade de resolver, através do diálogo, os dramáticos problemas de pobreza e trabalho precário que angustiam cerca de um milhão de chilenos.



Em uma declaração assinada pelo Presidente da Conferência, Dom Alejandro Goic Karmelic, e pelo secretário-geral, Dom Cristián Contreras Villarroel, o Comitê Permanente do Episcopado afirma que muitas vezes no regime de terceirização o trabalho não se realiza em condições dignas e justas.

Ainda que mencionam os avanços que significou no país a reforma legal sobre a matéria, os bispos manifestam que a mudança de uma realidade assentada durante longo tempo costuma gerar tensões e pressionar para situações extremas, aludindo assim aos recentes movimentos trabalhistas, alguns lamentavelmente acompanhados de violência.

«Neste caso, como em outros, a violência é o sintoma de uma situação de inquietude evidente que não foi resolvido por nossa sociedade. Os trabalhadores têm o legítimo direito de mobilizar-se através de suas organizações representativas para exigir o que a lei lhes confere e em justiça lhes pertence. Mas nada justifica a violência nem o atropelo aos direitos de outras pessoas», assinala a declaração, que leva por título «Desafios de fundo nos recentes conflitos trabalhistas».

Os pastores sustentaram que é preciso avançar no tema da negociação coletiva em regime de terceirização, no âmbito da empresa, e estimaram que os recentes episódios são uma mostra da insuficiente legislação nesta matéria.

«O direito à negociação coletiva em termos efetivos, é um direito básico que o concerto internacional e a própria Igreja reconhecem aos trabalhadores. Este reconhecimento não é completo se por uma formalidade se impede ao trabalhador entender-se com quem mais diretamente se beneficia com o fruto de seu esforço», expressam.

Ao mesmo tempo, fizeram um chamado a empresários e trabalhadores, às autoridades de governo e aos legisladores, para que abordem estas situações com espírito de concórdia, procurando buscar o bem-estar de quem carece do necessário para viver.

«É preciso avançar com rapidez e decisão rumo a uma dignidade do trabalho e ao pleno respeito dos direitos básicos dos trabalhadores», conclui a declaração, dada a conhecer nesta quarta-feira, em coletiva de imprensa, pelo bispo de Rancagua e presidente da Conferência Episcopal, Dom Goic.

O texto da declaração pode ser lido no site da Conferência Episcopal do Chile: http://www.iglesia.cl.