Episcopado elogia suspensão parcial da lei do Arizona

Apoio dos bispos do Arizona à juíza Susan Bolten

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PHOENIX, quinta-feira, 29 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Os bispos católicos do Arizona elogiaram a sentença do tribunal federal de Phoenix, que, na véspera de sua entrada em vigor, bloqueou algumas das medidas mais polêmicas da lei contra a imigração ilegal nesse Estado americano.    

Disposições da nova lei, que havia sido aprovada pela governadora Jan Brewer em abril, foram bloqueadas ontem pela juíza Susan Bolton e ficarão suspensas até que os tribunais federais se pronunciem sobre seu conteúdo.

Os bispos católicos do Arizona aplaudiram (este é o verbo literal que utilizaram) a sentença da juíza e esperam que "a reação à sua decisão se expresse somente em formas pacíficas e legais.

"Como bispos de nossas respectivas dioceses, sabemos que praticamente em todas as paróquias há famílias que estiveram vivendo com medo e ansiedade criados pela SB 1070 e que tal lei ia separar as famílias", explicam os bispos em uma nota.

"A situação dessas famílias pode ser que, por exemplo, um pai seja cidadão e o outro não se encontre em nosso país legalmente - acrescentam. Ou pode ser que a situação seja que alguns filhos sejam cidadãos e que um irmão ou irmã não tenha os documentos necessários."

Os bispos "se unem a estas famílias. Sabemos que são boas pessoas, que trabalham duro e que contribuem para a economia e para a qualidade de vida das suas comunidades".

Os prelados anunciam que continuarão manifestando-se contra as provisões da SB 1070 e que vigiarão a implementação das provisões permitidas de acordo com a decisão.

Também garantem que continuarão promovendo "uma reforma compreensiva das leis de imigração do nosso país".

A posição dos bispos se baseia em 4 princípios.

Em primeiro lugar, indicam, "a imigração ilegal não é boa para o nosso país. Não é bom não saber quem está entrando em nosso país".

Em segundo lugar, esclarecem, "nossas fronteiras internacionais devem ser garantidas e devemos ser protegidos do tráfico de drogas, de armas e de pessoas, da violência".

Em terceiro lugar, exigem "um processo para alcançar um status legal - mas não uma anistia - para as pessoas que entraram em nosso país ilegalmente. Este processo deverá ter consequências em proporção ao ato de entrar sem documentos; isso inclui multas, aprender inglês e colocar-se em linha desde o começo, para tornar-se cidadão".

Em quarto lugar, consideram, "nossa nação precisa de um programa que permitirá que os trabalhadores entrem legalmente neste país. Este programa deverá incluir a proteção dos direitos dos trabalhadores".

Segundo os prelados, "a consequência fatal do fracasso da liderança dos políticos da nossa nação para implementar uma reforma do nosso sistema de imigração incluiu a morte de milhares de pessoas".

"Os migrantes - mulheres, homens, crianças em circunstâncias desesperadas - morreram tentando entrar em nosso país. Cidadãos americanos morreram devido aos crimes cometidos pelos narcotráficos, pelas pessoas que traficam seres humanos, pelas pessoas que traficam armas."

Os bispos concluem assegurando suas orações aos seus senadores e representantes, para que "deixem de lado as divisões de partido e trabalhem logo para compor o frágil sistema de imigração".

Outros bispos dos Estados Unidos e da América Latina também manifestaram aprovação pública diante da decisão judicial.