Erdö: No sínodo há uma convergência sobre o papel dos movimentos"

O cardeal húngaro foi eleito entre os membros europeus do Conselho Permanente do Sínodo

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Por Luca Marcolivio

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 24 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – A coletiva de imprensa do Sínodo dos Bispos de ontem, realizada na Sala de Imprensa do Vaticano, contou com a presença do Cardeal Peter Erdö, arcebispo de Esztergom-Budapeste e presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

O cardeal Erdö é um dos três europeus (juntamente com Mons. Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto e com o cardeal Chistoph Schönborn, Arcebispo de Viena) eleitos esta manhã como membros do Conselho Permanente Sinodal.

Também foram eleitos para o Conselho: para a África, os cardeais Wilfrid Fox Napier, arcebispo de Durban, Laurent Monsengwo Pasinya, arcebispo de Kinshasa, Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz; para as Américas: os cardeais Timothy Dolan, arcebispo de Nova York, e Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, Brasil, mons. Santiago Silva Retamales, bispo auxiliar de Valparaíso; para a Ásia e a Oceania: os cardeais Oswal Gracias, arcebispo de Bombay, e George Pell, arcebispo de Sydney, mons. Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila.

Conversando com os jornalistas, o cardeal Erdö tocou várias questões ligadas à Nova Evangelização, especialmente no Velho Continente. A Europa, notoriamente a mais secularizada dos continentes, observou o purpurado húngaro, possui ainda uma “beleza específica” autenticamente cristã, que é a herança da arte, da cultura e da arquitetura.

Uma questão central é a relação entre a fé cristã e a cultura, porém os pontos de reflexão são vários.

Apesar de tudo, a fé na Europa “não está assim tão ruim”, observou Erdö. Apesar do secularismo, de fato, "a necessidade de ter fé é muito forte" e emerge sobretudo nos contextos de "desespero". Até mesmo na superstição, disse o cardeal, é possível identificar uma exigência de espiritualidade, embora mal orientada.

A nível institucional, o chefe dos bispos europeus lembrou que o Tratado de Lisboa reconhece o papel das religiões na vida cívica e comunitária.

Outro aspecto crítico que indiretamente leva à redescoberta da espiritualidade é a crise de moralidade que invade a civilização ocidental, pela qual a ética secular encontra dificuldades para dar respostas convincentes. "Em muitos países de tradição cristã, há um enorme vazio e o poder tem séria dificuldade quando deve definir a moralidade”, disse o arcebispo de Budapeste.

O cardeal depois refletiu sobre o tema dos aspectos ecumênicos da evangelização, muitas vezes objeto de discussão durante o Sínodo. Que as igrejas cristãs de toda a Europa - católica, ortodoxas, reformadas - comprometam-se para re-evangelizar juntas todo o continente não é uma "possibilidade teórica" ​​mas uma "experiência prática" já experimentada, como demonstra o discreto sucesso do Fórum católico-ortodoxo.

O cardeal, no entanto, afirmou: "Uma visão completamente comum da evangelização não é possível até que falte a plena comunhão". Neste caso, existem sérias diferenças teológicas que tornam impossível um comum e orgânico caminho, deixando claro que é praticável um “apoio recíproco” e uma “colaboração sobre vários aspectos” relacionados com a evangelização.

 A convergência entre as igrejas deve ser procurada, portanto, a partir da “realidade sociológica”. Tanto é assim que é muito fácil estar de acordo sobre temas como “a família, as relações estado-igreja ou a crise econômica”, disse Erdö.

ZENIT, então, perguntou ao cardeal húngaro, qual linha está prevalecendo no Sínodo sobre o papel dos leigos e dos movimentos carismáticos na Nova Evangelização. "Sobre esta questão entre os Padres sinodais prevalece a convergência", respondeu o cardeal.

O objetivo virtuoso, explicou Erdö, é que os movimentos católicos "se encaixem totalmente na vida das dioceses e das paróquias".

É, no entanto, uma realidade particularmente rica e multifacetada, que diminui de maneiras diferentes, dependendo da cultura evangelizadora de cada povo. "Nas áreas de língua alemã, por exemplo - disse o cardeal - os movimentos estão presentes, mas não têm um papel de destaque como em outros países, sendo ainda muito forte as associações”.

Segundo Erdö, outro aspecto objetivamente relevante é o"enraizamento dos movimentos católicos na antropologia pós-moderna”. Muito forte é, por exemplo, “o elemento emocional” que às vezes prevalece sobre outros elementos mais tradicionais do cristianismo. O que realmente importa é, no entanto, que os movimentos alcancem “resultados de comunhão” com a Igreja Universal.

O papel dos leigos é sem dúvida sempre mais importante, acrescentou o prelado, porque, em grau mais elevado do que o clero, eles podem evangelizar a partir da vida prática, antes mesmo da pregação.

(Trad.TS)