Espanha: 12 mártires carmelitas a caminho dos altares (II)

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Por Carmen Elena Villa

ROMA, domingo, 29 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - O Papa Bento XVI assinou o decreto que comprova o martírio do Pe. José María Mateos, junto com os sacerdotes Elías María Durán, José María Mateos, José María González, e os irmãos Jaime María Carretero e Ramón María Pérez Sousa, Antonio María Martín e Pedro Velasco.

Todos foram assassinados entre julho e setembro de 1936. Os religiosos foram presos nos conventos de Montoro e de Hinojosa del Duque.

Publicamos a segunda parte desta reportagem. A primeira parte foi publicada no domingo passado e nela se narra a invasão do convento de Montoro e o assassinato de José María Mateos e Elías Durán.

Hinojosa del Duque

Outros 50 religiosos carmelitas moravam no convento da pequena cidade de Hinojosa del Duque, situada na província de Córdoba, em Andaluzia. Esta se caracterizava por ser muito pacífica.

No entanto, no dia 27 de julho de 1936, vários milicianos irromperam a calma, entrando no convento. Alguns religiosos, por precaução, haviam sido enviados às casas das suas famílias, alguns dias antes.

"Lá, o ambiente era de destruir tudo o que cheirasse a religião, tanto as imagens sagradas como os edifícios sagrados ou templos; os milicianos eram assassinos e incendiários, profanavam tudo o que encontravam pela frente; por exemplo, colocavam os confessionários nas portas do templo, para que servissem de guaritas", diz uma testemunha citada na Positio.

Muitos deles perceberam que o martírio se aproximava, razão pela qual quiseram dispor-se interiormente, fazendo penitência e comendo somente pão e água.

"Só sei que pareciam todos valentes e decididos para receber ou sofrer o martírio. Isso eu sei também por sua família", disse Sor Damiana Goñi Senosaín, uma das testemunhas.

Moyano Linares, íntegro até o final

Este sacerdote, que foi também o provincial da comunidade entre 1926 e 1932, nasceu em 1891 e entrou na comunidade em 1907. Recebeu o sacramento da ordem em 1914, na basílica de São João de Latrão, em Roma.

"Era culturalmente de maior nível. Havia entendido e estava convencido de que deveriam sofrer o martírio", disse o Pe. Grosso.

O Pe. Moyano permaneceu 38 dias preso por seus perseguidores antes de ser assassinado. Foi amontoado junto a outras 70 pessoas e humilhado da pior maneira: jogaram fezes nele e o deixaram em uma cela com uma prostituta. Ele permaneceu fiel ao voto de celibato.

"Tiravam-no de lá para realizar operações de limpeza pública, como varredor, ou trabalhos pesados, carregar sacos, regar as árvores do parque. Espancavam-no até fazê-lo sangrar", conta uma testemunha.

"Ele pediu para ser o último em morrer, para poder absolver os pecados de todos os seus companheiros de cativeiro", conta,

"Sua conduta na prisão foi exemplar. E eu o ouvi dizer ao meu irmão que costumava exigir deles um perdão positivo dos seus inimigos", assegurou Juan Jurado Ruiz, outra testemunha.

Pe. José María González Delgado

O amor a Nossa Senhora e ao Santíssimo Sacramento era o que mais caracterizava José María González Delgado, nascido em 1908. Aos 21 anos, ingressou na Ordem e fez sua profissão solene em 1935.

"A era dos mártires ainda não terminou. Talvez Deus tenha nos destinado a seguir os passos daqueles heróis", escreveu uma vez ao seu diretor espiritual.

E foi ele o primeiro em morrer após a invasão ao convento de Hinojosa del Duque. Os milicianos jogaram uma bomba. "Ele fugiu e foi buscar sua família. Uma prima não o acolheu, outra sim", conta o Pe. Grosso. "Depois, descobriram uma medalha no pescoço dele e assim o prenderam", conta seu postulador.

Uma das testemunhas relatou como o levaram até a morte, junto a outros presos: "Serviram como escudos humanos. No meio da confusão, foram matando todos a tiros, no pátio da prefeitura".

Eliseo Camargo Montes

Este religioso nasceu em 1887 e entrou no convento aos 28 anos, depois de ter mantido sua família com seu trabalho, devido à morte prematura dos seus pais.

Era o cozinheiro da comunidade. No dia da invasão, pulou o muro do convento e foi hospedou em uma casa de família. No entanto, os milicianos o capturaram supostamente para que servisse de guia na busca de armas. Obrigaram-no a pisotear o sangue dos seus irmãos.

Foi assassinado junto com o Irmão José María. "Ambos demonstraram valor diante dos sofrimentos, sem queixar-se; foram presos e depois assassinados unicamente por serem religiosos. Fundo esta crença no conhecimento que tive de ambos", disse Alfonso María Cobos López, uma das testemunhas.

Nessa invasão, foi martirizado também José María González Cardeñosa, nascido em 1902. Sua mãe morreu quando ele tinha 2 anos e por isso ficou sob os cuidados da sua avó. Aos 23 anos, fez sua profissão solene, apesar de que seu pai se opunha à sua vocação. Seus irmãos lembravam dele como alguém humilde, caridoso com o próximo e obediente com seus superiores.

No dia da invasão ao convento, ele quis ficar junto com Antonio María Marín e Pedro Velasco Narbona.

Também morreu Antonio María Povea, que entrou na comunidade aos 36 anos. Era o porteiro do convento e nele se destacava a paciência, a simplicidade e a humildade. Foi ele quem abriu a porta aos milicianos e, nesse momento, foi tomado como refém. "Só sei que deve ter morrido por ser religioso, pois não havia outro motivo ou razão", disse a testemunha José Lotillo Rubio.

Por último, está o postulante Pedro Velasco Carbona, nascido em 1892 e membro da Ordem desde 1933. Junto com Antônio, decidiu permanecer no convento, apesar de que isso colocava sua vida em risco. Era o sapateiro e cumpria muito bem suas tarefas como postulante.