«Espírito de Assis» não é indiferença religiosa, declara Papa

Em sua peregrinação ao túmulo de São Francisco

| 1281 visitas

ASSIS, segunda-feira, 18 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI declarou em Assis que o espírito de paz entre as religiões, promovido por São Francisco e por João Paulo II, não é indiferença ou sincretismo religioso.



Foi uma das mensagens centrais que deixou neste domingo, em sua peregrinação ao túmulo do fundador dos franciscanos, no oitavo centenário de sua conversão.

«Não posso esquecer, neste contexto, a iniciativa de meu predecessor de santa memória, João Paulo II, que quis reunir aqui, em 1986, os representantes das confissões cristãs e das diferentes religiões do mundo, para participar de um encontro de oração pela paz», disse o Papa ao final da homilia da missa dominical.

«Foi uma intuição profética e um momento de graça, como confirmei há alguns meses em minha carta ao bispo desta cidade, por ocasião do vigésimo aniversário daquele acontecimento», acrescentou, na celebração que aconteceu ao ar livre, na praça inferior de São Francisco.

«A decisão de celebrar aquele encontro em Assis foi sugerida precisamente pelo testemunho de Francisco como homem de paz, a quem tantas pessoas vêem com simpatia inclusive desde outras posições culturais e religiosas», recordou.

«Ao mesmo tempo, a luz do ‘pobrezinho’ sobre essa iniciativa era uma garantia de autenticidade cristã, pois sua vida e sua mensagem se baseiam de uma maneira tão visível na opção por Cristo que rejeita a priori qualquer tentação de indiferença religiosa, que não tem nada a ver com o autêntico diálogo inter-religioso», continua dizendo.

O Papa Karol Wojtyla convocou outras duas jornadas de oração pela paz em Assis. A última se celebrou em 24 de janeiro de 2002, após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos do ano precedente.

«O ‘espírito de Assis’, que desde aquele acontecimento continua difundindo-se pelo mundo, opõe-se ao espírito de violência, ao abuso da religião como pretexto para a violência.»

«Assis nos diz que a fidelidade à própria convicção religiosa, a fidelidade sobretudo a Cristo crucificado e ressuscitado, não se expressa com a violência e a intolerância, mas com o respeito sincero do outro, com o diálogo, com um anúncio que interpela a liberdade e a razão, no compromisso pela paz e pela reconciliação», indicou o bispo de Roma.

«Não poderia ser uma atitude nem evangélica nem franciscana não conseguir conjugar a acolhida, o diálogo e o respeito por todos com a certeza de fé que todo cristão, como o Santo de Assis, deve cultivar, anunciando Cristo como caminho, verdade e vida do homem, único Salvador do mundo», concluiu.