Estado leigo não significa Estado ateu ou anti-religioso, diz cardeal

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Por Alexandre Ribeiro  

 

RIO DE JANEIRO, segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Segundo o arcebispo emérito do Rio de Janeiro, cardeal Eugênio de Araújo Sales, um «Estado leigo não significa Estado ateu ou anti-religioso».

Dom Eugênio afirma, em artigo difundido essa sexta-feira por sua arquidiocese, que o Estado deve ser separado da Igreja, mas não dos sentimentos religiosos do povo.

«Nos últimos tempos, penetraram profundamente, na cultura dos povos, conceitos que outorgam ao subjetivo a elaboração da verdade», afirma.

De acordo com o cardeal Araújo Sales, «cada um julga, segundo parâmetros por ele construídos, o que deve fazer ou omitir. No fundo, é a substituição de Deus pelo homem».

«O que era prerrogativa daquele, a elaboração dos mandamentos a ser seguidos e a revelação da doutrina a ser aceita, passou à esfera da criatura humana», escreve.

Segundo o arcebispo emérito, como produto desse subjetivismo, «nasce o relativismo pelo qual nada mais é irreformável ou seguro. Hoje, poderá ser proclamado certo o que ontem era errôneo».

Mas, diante desse contexto, Dom Eugênio reconhece que, «felizmente, há sinais de um retorno aos princípios que antes regiam a sociedade. Ao menos, alguns já reconhecem serem errados vários conceitos, frutos dessa pseudocultura moderna».

«Não se trata de volta a antigas posições, tomadas em bloco, pois nelas haveria certamente elementos ultrapassados. Sente-se, hoje, em muitos ambientes, a necessidade de uma retificação de rota.»

«Recordo que, em um seminário realizado no verão de 1991, em Moscou, com a participação da Pontifícia Comissão para a Cultura, afirmou-se publicamente que, em uma sociedade pluralista, o Estado deve ser separado da Igreja, mas não dos sentimentos religiosos do povo».

«A sociedade não subsiste sem os valores éticos e estes desaparecem sem a vivência que decorre da Fé. Além disso, várias conferências episcopais têm tido a oportunidade de lembrar que “Estado leigo” não significa “Estado ateu” ou anti-religioso», afirma o cardeal.