Estado não pode suprimir vida humana, diz cardeal

Direito à vida é o primeiro de todos os direitos, explica Dom Odilo Scherer

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Por Alexandre Ribeiro

 

SÃO PAULO, quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- «Será que alguém de nós aceitaria que outros pudessem fazer com nossas pessoas a pior coisa que se possa imaginar, ou seja, tirar nossa vida?», questiona o arcebispo de São Paulo.

«Certamente, a resposta imediata é: de jeito nenhum aceitaríamos que outras pessoas decidissem tirar a nossa vida», completa o cardeal Odilo Pedro Scherer.

Em mensagem aos fiéis difundida essa terça-feira por sua arquidiocese, o cardeal considera que, «se o Estado resolvesse autorizar a supressão da vida de seres humanos, chamaríamos esse Estado de tirano e gravemente faltoso em relação aos direitos humanos».

Segundo Dom Odilo, o direito à vida, «primeiro direito de todo ser humano, é absolutamente intocável e inegociável; dele decorrem todos os demais direitos humanos».

O arcebispo enfatiza que se este «princípio basilar» não estiver «bem firme e claro», «fica abalado todo o direito, assim como a segurança e a paz na convivência social».

«Ninguém pode se apropriar da vida de outro ser humano, por interesse, por violência ou qualquer outro motivo, nem dispor dela como se fosse um "objeto" útil para terceiros», afirma.

«Os critérios do conforto/desconforto, do prazer/desprazer, do custo/benefício, da utilidade e da vantagem para terceiros podem ser aduzidos para decidir se um ser humano pode nascer ou deve morrer antes mesmo de ver a luz?»

«Os mesmos critérios podem ser usados para matar, ou deixar viver uma pessoa adulta, ou para decidir se uma pessoa idosa, doente, ou com problemas sérios de saúde pode continuar vivendo ou deve deixar de viver?», prossegue.

De acordo com o arcebispo de São Paulo, a questão da defesa da vida «é, acima de tudo, uma questão de direitos humanos e interessa a todos os cidadãos, sejam eles crentes ou não-crentes».

«Se a Igreja não concorda com a legalização do aborto, é porque nessa prática está sempre em jogo a supressão da vida de um ser humano», afirma.

Segundo o cardeal Scherer, «poderíamos tratar ainda de tantas outras situações de ameaça direta ou indireta sobre a vida humana», como a questão da pesquisa com células-tronco embrionárias, entre outras; mas «o princípio sempre é o mesmo: a vida humana é um bem intocável e não pertence a terceiros, nem ao Estado».

«É isso mesmo que também Deus prescreveu no 5º mandamento do Decálogo: não matarás"», afirma o cardeal.