Este é o meu Filho, escutai-o!

Meditação da Palavra de Deus - II Domingo da Quaresma

Cairo, (Zenit.org) Frei Patrício Sciadini | 1496 visitas

Lucas tem uma pedagogia especial e única. Ele sabe como nos conduzir à compreensão dos mais belos e grandes mistérios da vida e da missão de Jesus. Com delicadeza, nos encontramos diante da transfiguração e percebemos toda a importância deste fato. É o coração de Deus, transbordante de amor, que nos revela o coração de Jesus. Na transfiguração, o Pai consagra o seu Filho único, Jesus, como seu único interlocutor, nos dá uma ordem toda particular e ao mesmo tempo firme: “Este é meu filho bem amado, escutai-o!” Saber escutar é um carisma, uma arte que leva a vivenciar, amar e praticar o que se escuta. Parece-me que a escuta não pode parar em nós mesmos, ela deve nos levar, progressivamente, a penetrarmos mais a fundo o mistério de Deus.

Escutar o Filho de Deus

Quatro palavras podem nos ajudar a compreender a dinâmica do conhecimento de Jesus: ESCUTAR, COMPREENDER, AMAR e PRATICAR. Só assim poderemos sair do nosso mundo feito de intimismo, de individualismo e penetrarmos no verdadeiro sentido do escutar o Filho de Deus. Todos nós temos o nosso “tabor”, momentoem que Deusse revela e nos transfigura para podermos compreender a nossa missão e carregar com maior facilidade o mistério da cruz, quando ela nos pesar sobre os frágeis ombros. Para compreender a transfiguração de Jesus e a presença de Moisés e de Elias se faz necessário parar, silenciar o nosso coração e meditar por breves instantes dois grandes acontecimentos da vida de Jesus: a pobreza do nascimento em Belém e a pobreza no calvário quando Ele morre na total desnudez. Entre Belém e o calvário há o tabor que tudo ilumina.

“Tomando consigo Pedro, Tiago e João”

São as testemunhas preferidas de Jesus para transmitir, depois, o que aconteceu no monte. Jesus não esconde nada do que Ele é, mas até que o coração do ser humano não esteja preparado, Cristo se revela em figuras, símbolos, que só aos poucos podemos compreender. Os três serão também testemunhas da ressurreição, no entanto, durante a agonia de Jesus “dormirão”, não terão a capacidade de velar. Coragem e fragilidade se unem no ser humano. Também nós fazemos todos os dias a experiência do não amor a Cristo, revestidos de humanidade e de pecado. “Monte e oração” são duas palavras chaves na leitura do texto de hoje. O monte é lugar de silêncio, de solidão, onde Deus se manifesta. Ele nos chama a subir ao monte para dialogar, para rezar. É urgente redescobrir ao lado das várias formas de oração, “de louvor, de súplica, em línguas”, a oração silenciosa que nos obriga a contemplar sem nada dizer. Não são as palavras que tocam o coração de Deus, mas sim o nosso amor. A oração é respiro, é vida. Da qualidade da nossa oração depende a qualidade de nossa vida cristã, do apostolado, do relacionamento, do trabalho. A oração verdadeira nos “transfigura”, nos dá um rosto novo, luminoso. A qualidade da oração de alguém pode ser comprovada somente na vida de cada dia, no trabalho. Como o pecado “desfigura” o ser humano, o torna agressivo, violento, assim a oração nos torna pacíficos, calmos e serenos. Deus é amor.

Este é meu Filho amado

O centro da transfiguração é a visão transformante de Cristo e a Palavra de Deus-Pai. Jesus deve ser escutado. São João da Cruz recorda que Jesus é a única palavra do Pai, pronunciada no silêncio e que continua a ser pronunciada em silêncio de amor. O mundo de hoje deve voltar a escutar Jesus. Só assim será feliz. Senhor nosso Deus, dai-nos a graça de escutar Jesus, única palavra de amor, e de sermos transfigurados das nossas “desfigurações” do pecado. Amém!

*Meditação a cura de Frei Patrício Sciadini, ocd, da liturgia diária Pão da Vida, gentilmente cedida pelas Edições Shalom. Maiores informações:www.edicoesshalom.com.br