Estephan Nehmé: novo beato para a Igreja no Líbano

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Por Carmen Elena Villa

BEIRUTE, segunda-feira, 5 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Dom Ángelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, qualificou Estephan Nehemé como “um anjo com rosto humano”. Assim disse na homilia da missa de sua beatificação, que foi realizada no Líbano dia 27 de junho. “Trabalhava e orava muito. Meditava durante horas”, recordou o prefeito.

Na beatificação participaram cerca de 50 mil pessoas. A cerimônia foi realizada no monastério de Kfifan, no Líbano, onde seu corpo está incorrupto.

Na praça de São Pedro, o Papa Bento XVI recordou durante a oração do Ângelus a figura deste monge da Igreja maronita elevado aos altares. “Alegro-me de coração com meus irmãos e irmãs libaneses e vos confio, com grande afeto, a proteção do novo beato”, disse.

A cerimônia foi presidida pelo cardeal Nasrallah Sfeir, patriarca de Antioquia dos Maronitas. Dom Amato, em representação do Papa Bento XVI, proclamou a fórmula de beatificação. Também participaram nesta cerimônia o presidente do Líbano, Michel Suleiman, e o primeiro-ministro, Saad Hariri.

A Igreja Católica Maronita, de rito oriental, deve seu nome a São Maron, um monge que viveu entre os anos 350 e 410 próximo de Antioquia. Suas principais comunidades estão na Síria e Líbano. Devido às migrações, também estão presentes na Austrália, no Brasil, México e Argentina.

As relíquias do monge foram levadas em uma procissão até o local da beatificação. Uma imagem do beato foi pendurada na fachada do monastério onde ele foi elevado aos altares.

Vida

Seu nome era Yusef, nasceu em 1889 em Lehfed, e morreu em 1938. Quando era jovem, gostava de caminhar pelos campos do Líbano, para rezar de forma que pudesse evitar perturbações nas meditações e orações.

Seu postulador, Pe. Paolo Azzi, em uma entrevista a L’Osservatore Romano, qualifica-o como alguém “humilde, reservado, atento a cumprir a vontade de Deus por meio da observação da regra, cheio de espírito de abnegação”.

Seu pai havia morrido dois anos antes de Estephan pedir para entrar no monastério em Kfifan, com 16 anos. Dois anos depois (1907), professou os votos monásticos e em 1924 professou os votos solenes no monastério de Santo Antônio, em Houb.

Constantemente era enviado a diferentes conventos da mesma ordem: “aonde ia, deixava um testemunho de fidelidade ao chamado de Deus, de compromisso ascético e de oração contínua”, disse Pe. Azzi.

Por sua vez, Dom Amato destacou em sua homilia “a fama de seu trabalho e de sua virtude”, que chegavam ao ponto de “que os superiores dos conventos pediam para sempre ter o irmão Estephan em sua comunidade por seu bom exemplo na oração, no trabalho e na concórdia”.

Caridade

Durante a Primeira Guerra Mundial, quando a maior parte das famílias passava por um momento de grande fome, Estephan não parava de distribuir comida aos mais necessitados. Segundo o testemunho do monge Jirjis Nehme de Lehfed, durante a guerra, o novo beato viu uma criança que havia acabado de ficar órfã nos braços de sua mãe morta: “A cena o afetou: ele acolheu o menino com ternura em seus braços e o levou ao galpão do campo e cuidou muito bem dele”, disse o monge.

“Deu-lhe leite e fez o mesmo com o grupo de seus pobres companheiros. Continuou cuidando deles até que escaparam sãos e salvos da guerra”, disse o Frade Jirjis.

Um homem que soube viver sua vida espiritual como exigia a vocação: “quando a hora da oração chegava, enquanto estava no campo, partia para fazer suas devoções”, disse Frade Jirjis.

Estephan gostava de trabalhar nos jardins e hortas. Segundo um escrito sobre sua morte, esta foi causada por “uma pequena indisposição, seguida por febre e logo houve uma embolia que marcou o fim de sua vida”, depois de uma intensa jornada de trabalho no campo. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1951 e permanece assim no monastério onde foi beatificado.

Assim os pilares de sua vida foram a “pureza de coração”, junto com a “oração ininterrupta”, graças à contínua oração do Rosário. “Sua vida terrena”, disse Dom Amato, “foi constantemente aberta à eternidade de Deus”.