Evangelização até os confins do mundo

Entrevista com dom Savio Hon Tai Fai, secretário da Propaganda Fide

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Sergio Mora

ROMA, quarta-feira, 27 de junho de 2012 (ZENIT.org) - O secularismo e a dificuldade de inculturação são os dois principais desafios da nova evangelização, na opinião do Secretário da Propaganda Fide, dom Savio Hon Tai Fai, bispo salesiano de Hong Kong, que está no Vaticano há vários dias. ZENIT o entrevistou após a ordenação de dez diáconos, no último sábado, 23, em Roma.


ZENIT:Quais são os desafios para a evangelização dos povos em um mundo globalizado?
DOM SAVIO HON: O fenômeno crescente da globalização tem dois desafios muito claros. O secularismo, que está em toda parte, inclusive nos países menos preparados para lidar com este fenômeno, é um sistema de vida que tenta anular a dimensão transcendental, a dimensão de Deus. O segundo desafio é a inculturação: a fé tem que se unir novamente com a vida diária das pessoas. E há uma grande dificuldade para fazer isso. Mas também há muitas possibilidades graças à globalização, que facilita as viagens, os contatos, a comunicação e um intercâmbio maior.

ZENIT:O testemunho do papa significa o quê para quem vive longe do Ocidente? Seja para aqueles que conhecem a fé, seja para quem não conhece.

DOM SAVIO HON: O Santo Padre tem um papel especial: ele é o sucessor de Pedro, a rocha que o Senhor escolheu para edificar a Igreja. Não importa quem é o papa, o que importa é que se saiba que ele é o sucessor de São Pedro. Isto é realmente importante.

ZENIT: E quanto a Bento XVI, em particular?
DOM SAVIO HON: Somos felizardos por ter este papa, com o longo serviço dele na Santa Sé. Mesmo idoso e com essas limitações humanas, como podemos ver, ele faz um serviço fabuloso para expressar a fé em termos simples e para incentivar as pessoas a entrar em comunhão.

ZENIT:Para nós, que o vemos e ouvimos muitas vezes, é mais fácil. Mas para quem vive em países distantes, como os da Ásia?
DOM SAVIO HON: Não é por estar longe que não se sinta o mesmo. Eu venho da China, onde a Igreja tem muitas dificuldades e não é um caminho fácil de seguir, especialmente em questões como a liberdade religiosa. O Santo Padre é o chefe da nossa Igreja e os fiéis na China o aceitam de muito bom grado e o reconhecem. O obstáculo que existe é mais de natureza política. Apesar de estarmos longe de Roma, sentimos a proximidade do Santo Padre nas suas mensagens, especialmente no cuidado dele pela Igreja no nosso país.

ZENIT: Como estão as vocações religiosas hoje em comparação com o passado? Podemos dizer que são mais autênticas?
DOM SAVIO HON: Eu não saberia fazer um julgamento do passado, mas hoje, no mundo, especialmente depois do Concílio Vaticano II, a internalização da fé é muito forte na formação dos futuros sacerdotes. É importante porque abre espaço para a liberdade, elimina condicionamentos, e eu vejo isso também nos lugares mais pobres.

ZENIT: O senhor é salesiano e cuida da evangelização dos povos. Como vê hoje o carisma de Dom Bosco?
DOM SAVIO HON: Dom Bosco também sonhou com a evangelização da China. Eu creio que o carisma de Dom Bosco tem um frescor incrível para a aproximação com os jovens, com a família, com esse otimismo na realização de atividades diferentes. Tudo se resume numa frase: "Você pode fazer tudo, menos pecar". É um pai que realmente atrai e toca o coração da juventude.