Evangelização na Amazônia

Entrevista com Dom Meinrad, presidente dos bispos do Noroeste

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ROMA, terça-feira, 5 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - A pastoral com a população indígena, o desafio das seitas e a promoção do apostolado laical são alguns dos desafios enfrentados pela Igreja no Brasil na região Noroeste e na Amazônia. Seus bispos se encontram em Roma na visita ad Limina Apostolorum.

Sobre isso, falou Dom Franz Josef Meinrad Merkel, presidente da Conferência Episcopal Regional do Noroeste e arcebispo de Humaitá, em entrevista ao L'Osservatore Romano, em sua edição do último domingo.

O desafio mais importante é a pastoral num território imenso, às vezes impenetrável, no qual milhares de pequenas aldeias se encontram dispersas a grande distância.

Precisamente, um dos desafios é a pastoral com a população indígena. "Existe uma comissão missionária para os Índios (CIMI), criada em 1972", além de "pastorais específicas" em cada diocese.

Estes organismos "se concentram na preservação da identidade cultural, na defesa das terras reservadas às tribos e nos direitos humanos", ainda que reconheça que "não é muito frequente" uma evangelização "sistemática".

Dom Meinrad se referiu também ao tema da pastoral vocacional. Quanto ao número de sacerdotes, disse que, "lamentavelmente, são poucos em comparação às necessidades pastorais". E destacou que, ainda que os laços familiares sejam fortes nesta área, "a sensibilidade com relação às vocações é muito fraca".

"Reconhecemos que as vocações surgem de forma muito lenta, enquanto os desafios crescem de forma rápida", indicou.

Diante deste desafio, o bispo destacou o papel dos leigos, "tanto dentro das comunidades como no âmbito social ou político". E disse que, em muitas ocasiões, são eles "os que levam adiante o caminho da fé".

Destacou ainda que, devido ao território tão vasto, a Igreja usa também os meios de comunicação como plataforma de evangelização. Por exemplo, a maioria das dioceses tem sua própria estação de rádio.

"Uma diocese grande, como a de Porto Velho, possui uma emissora própria, que transmite em uma área de centenas de quilômetros e que alcança as populações dispersas no interior das florestas", destacou.

O prelado destacou também a presença da internet nas dioceses e o uso que bispos e sacerdotes fazem dos sites católicos: "Utilizamos alguns folhetos e publicações mensais para manter o contato com nossos fiéis", disse.

Sobre as emissoras locais de televisão, disse que, por falta de recursos, é mais difícil sustentá-las, como ocorreu com o canal da diocese de Humaitá, que teve de ser fechado.

Seitas

O bispo manifestou sua preocupação pelo contínuo crescimento das seitas e grupos religiosos de diversas índoles, especialmente as comunidades pentecostais que começaram a expandir-se há exatamente 100 anos, com a chegada da chamada "Assembleia de Deus": "estas trabalham onde a Igreja Católica não está presente", advertiu.

Contudo, Dom Meinrad destacou o trabalho de evangelização de muitos membros da Igreja por meio de atividades de formação e valorização da Palavra de Deus, "que já está dando resultados".

Frente ao diálogo ecumênico com as comunidades protestantes, o prelado indicou que "depende muito da mentalidade dos pastores que as guiam" e destacou a colaboração em alguns âmbitos, "por exemplo, na ajuda aos necessitados e na luta contra as drogas".

Mas reconheceu que, quando se trata de temas relacionados à doutrina, "o diálogo se torna muito difícil".

Meio ambiente

A Amazônia compreende mais de 5 milhões de quilômetros quadrados. Dom Meinrad disse que na região onde ele vive, a contaminação e a devastação das árvores "não é muito significativa", porque a legislação nesta área "é mais restritiva". Mas garantiu que em outras áreas do país há várias indústrias brasileiras que não respeitam as leis do meio ambiente.

Afirmou também que em outras dioceses, com a de São Gabriel da Cachoeira, onde a população indígena representa 95% do total, a devastação indiscriminada da floresta é maior.

Devido à extensão do território brasileiro, a visita ad limina se divide em 13 regiões diferentes e seus prelados foram a Roma ao longo deste ano.