Exame pré-natal e o destino dos nascituros

Declarações de Rick Santorum incendeiam o debate

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ROMA, segunda-feira, 5 de março de 2012(ZENIT.org) - Como parte do contínuo debate sobre os seguros de saúde e os contraceptivos nos Estados Unidos, outra questão polêmica emergiu recentemente no país: o exame pré-natal.

Em 18 de fevereiro, durante uma conferência de imprensa, Rick Santorum, candidato nas primárias republicanas, criticou o presidente Barack Obama pelo Affordable Care Act, que permite exames pré-natais gratuitos.

"O pré-natal gratuito vai acabar aumentando o número de abortos e a eliminação dos deficientes em nossa sociedade", disse Santorum.

Os comentários do candidato republicano receberam críticas, mas também inesperados elogios. Nas colunas do Chicago Tribune, mesmo defendendo o direito ao aborto, Esther J. Cepeda concordou com Santorum.

"Embora eu seja pró-escolha, Santorum não está tão fora de lugar como os defensores ardorosos do direito das mulheres ao aborto afirmam", disse a jornalista.

Explicando sua posição no dia seguinte, Santorum enfatizou que 90% dos fetos diagnosticados com síndrome de Down são abortados nos Estados Unidos.

Outro país onde o pré-natal está em debate é a Alemanha. No ano passado, o Bundestag aprovou, com 320 votos a favor e 260 contra, a lei sobre o diagnóstico genético pré-implantação em condições restritivas, conforme relatado pela agência alemã Deutsche Welle.

Os bispos alemães criticaram a iniciativa, definindo-a como contrária à dignidade humana e recordando que "toda pessoa tem o direito à vida desde a concepção".

Ameaças à vida

O jornal Die Welt informa que o primeiro bebê alemão a ser monitorado geneticamente nasceu em 27 de janeiro em Lubeck. Segundo o artigo publicado em fevereiro, os pais do bebê, que preferem manter o anonimato, sofrem de um defeito genético que, em 25% dos casos, leva ao nascimento de um filho destinado a morrer pouco tempo após o parto.

"Não praticaríamos este diagnóstico se um dos pais tivesse uma doença não mortal", disse a doutora Gabriele Gillessen-Kaesbach, envolvida no procedimento.

A experiência mostra, no entanto, que, com o tempo, o diagnóstico pré-implantação se vulgarizou significativamente, e o resultado que se segue é, muitas vezes, o aborto.

Na edição do jornal canadense Globe de 7 de janeiro, a jornalista Carolyn Abraham lembrou o primeiro aniversário da sentença do Supremo Tribunal Federal que anulou a lei que regulamentava a manipulação de embriões para tratamento pré-implantação.

No vácuo jurídico resultante, clínicas de fertilidade do Canadá passaram a enviar seus embriões aos Estados Unidos, onde eles continuaram a sofrer intervenções em ampla gama de defeitos genéticos. A maioria dos críticos se preocupa com o fenômeno da busca pelo filho perfeito, que corre o risco de degenerar em uma nova era da eugenia, disse Abraham.

O artigo relata que o médico canadense Jeffrey Nisker praticava o diagnóstico pré-implantação e mudou de ideia ao ver o que estava acontecendo. Inicialmente, ele pretendia ajudar as crianças a nascerem livres de doenças genéticas. Mais tarde, observou que muitos pais queriam o diagnóstico pré-implantação para determinar o sexo dos embriões ou selecioná-los conforme qualidades ou características.

Nisker advertiu: "Se focarmos na perfeição, acabaremos culpando as pessoas com deficiências".

Ao saberem dos potenciais problemas genéticos dos fetos, as mulheres podem se sentir pressionadas a fazer abortos. Este é o caso de Marie Ideson, que foi forçada a abortar depois de ser informada sobre a síndrome de Down do seu bebê.

"Uma enfermeira me disse que não abortar o meu filho iria fazê-lo sofrer e que ele só seria um fardo para a sociedade", disse a mulher ao jornal australiano The Herald Sun, em 4 de dezembro de 2011. Imediatamente após o aborto, ela se arrependeu. Mas a decisão já tinha criado tensões em seu casamento, que, alguns anos mais tarde, terminou em divórcio.

Abortar bebês com alguma deficiência é um hábito comum na Grã-Bretanha. Um artigo de 4 de julho do ano passado no Daily Mail informa que 482 fetos com síndrome de Down foram abortados em 2010, incluindo dez que já haviam superado 24 semanas de gestação.

Até fetos perfeitamente saudáveis ​​podem ser abortados se o sexo não for o "desejado". O jornal britânico Telegraph publicou recentemente os resultados de uma investigação secreta em que os repórteres visitaram várias clínicas para ver se era possível fazer abortos com base no sexo do feto. O relatório, publicado em 22 de fevereiro, revela que, embora esse tipo de aborto seja ilegal, a prática é realizada por grande número de clínicas.

O aborto com base no sexo do feto tem sido foco de debates também no Canadá nas últimas semanas, depois de um artigo do Jornal das Associações Médicas Canadenses, que criticou a prática.

Independentemente do valor das argumentações, se o princípio da sacralidade da vida é deixado de lado, qualquer outro valor se torna negociável.

Pe. John Flynn, LC